Nasry Asfura, candidato apoiado por Trump, vence eleição em Honduras após contagem tensa e acusações de fraude
A eleição presidencial em Honduras chega ao fim com a vitória de Nasry Asfura, um nome ligado ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um processo marcado por atrasos e contestações.
O país centro-americano acompanhou com apreensão a divulgação do resultado oficial, que demorou semanas para ser consolidado. Problemas técnicos e denúncias de fraude criaram um clima de incerteza, levantando temores sobre a lisura do pleito.
Nasry Asfura, representando o Partido Nacional, obteve a maioria dos votos, superando por uma margem estreita seu principal oponente. A disputa acirrada exigiu uma recontagem minuciosa de centenas de milhares de atas de votação, adicionando tensão ao processo.
O resultado final foi divulgado pelo órgão eleitoral hondurenho nesta quarta-feira, confirmando a vitória de Asfura. A informação foi amplamente divulgada pelo g1, que acompanhou de perto os desdobramentos da eleição. Asfura sucederá a atual presidente, Xiomara Castro, que em 2021 marcou o retorno da esquerda ao poder após 12 anos de governos conservadores.
Vitória apertada e contagem manual definem o resultado
De acordo com a autoridade eleitoral, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Nasry Asfura conquistou 40,3% dos votos. Seu rival, Salvador Nasralla, do Partido Liberal, obteve 39,5%. A diferença mínima entre os candidatos levou a uma extensa contagem manual de cerca de 15% das atas de votação para garantir a definição do vencedor.
Após a confirmação do resultado, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, emitiu um comunicado instando “todas as partes a respeitar os resultados da votação”, visando uma transição pacífica para o novo presidente eleito.
Quem é Nasry Asfura, o novo presidente de Honduras
Filho de imigrantes palestinos, Nasry Asfura é visto como um candidato com forte apoio do ex-presidente americano Donald Trump. Esta foi sua segunda tentativa de chegar à presidência hondurenha. O apoio formal de Trump foi recebido no final de novembro, intensificando a atenção internacional sobre a eleição.
Asfura pertence ao Partido Nacional, uma sigla que já enfrentou escândalos, incluindo a condenação do ex-presidente Juan Orlando Hernández. O próprio Asfura, em seu passado como prefeito de Tegucigalpa, foi alvo de acusações de desvio de recursos. Além disso, seu nome apareceu nos “Pandora Papers”, que expuseram o uso de empresas offshore para evasão fiscal.
Durante sua campanha, Asfura se apresentou como um construtor pragmático, focado em atender às necessidades de infraestrutura do país, buscando atrair eleitores com promessas de desenvolvimento e melhorias na infraestrutura.
Temores de fraude e incerteza no processo eleitoral
Uma das maiores preocupações dos eleitores hondurenhos era a possibilidade de anulação do pleito. Pouco antes da votação, autoridades eleitorais relataram a descoberta de irregularidades em testes do sistema de resultados preliminares, um sistema que normalmente agiliza a divulgação dos primeiros resultados.
Rixi Moncada, que representava a continuidade do projeto político de Xiomara Castro e seu marido, o ex-presidente Manuel Zelaya, chegou a ameaçar não reconhecer o resultado caso os problemas persistissem. Essa postura gerou apreensão entre observadores internacionais e organizações de direitos humanos.
A missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Honduras destacou que “observou ações e declarações praticamente diárias que geram incerteza e desestabilizam o processo eleitoral”. María Méndez Dardón, diretora para a América Central do Escritório de Washington para Assuntos Latino-Americanos (WOLA), comentou que “Todos falaram sobre fraude”, aumentando a incerteza em um cenário onde a classe política demonstra resistência em se submeter à vontade popular e ao trabalho das instituições eleitorais.
A influência de Trump na política hondurenha
A influência de Donald Trump na América Latina também se fez presente na eleição em Honduras. Durante seu mandato, os EUA deportaram milhares de migrantes hondurenhos e revogaram o Status de Proteção Temporária (TPS) para muitos outros.
Os candidatos, em geral, procuraram se alinhar a alguma postura que pudesse agradar a Washington. Moncada, por exemplo, afirmou que respeitaria o tratado de extradição com os EUA, um ponto questionado pela gestão de Castro. Já Nasralla prometeu romper relações com a Venezuela e, assim como Asfura, buscou promover um melhor diálogo com o governo americano.
Todos os principais candidatos demonstraram disposição em se aproximar de Taiwan, uma postura que contrasta com a decisão de Xiomara Castro de restabelecer relações com a China em 2023. Essa movimentação diplomática reflete a complexa teia de interesses que moldaram a disputa presidencial em Honduras.