Em encontro mediado pelos EUA, as negociações EUA Ucrânia Rússia apontaram avanço em pontos militares, porém permaneceram estagnadas sobre territórios e usina nuclear
Uma nova rodada de conversas entre delegações da Ucrânia, da Rússia e mediadores dos Estados Unidos terminou sem um acordo para encerrar a guerra, na madrugada desta quarta.
As sessões em Genebra foram descritas como tensas e duraram cerca de seis horas na terça, e quase duas horas na quarta, com o término confirmado por volta das 7h, no horário de Brasília.
Embora representantes tenham falado em progresso em temas militares, a divisão sobre o destino de territórios a leste da Ucrânia e sobre a usina de Zaporizhzhia manteve o impasse, conforme informação divulgada pelo g1.
O que os líderes e negociadores disseram
Após o encontro, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou, em conversa com repórteres, que “Podemos ver que houve progresso, mas, por enquanto, as posições divergem porque as negociações foram difíceis”.
O chefe da delegação russa, Vladimir Medinski, definiu as tratativas como “difíceis, mas profissionais”, e acrescentou que “A próxima reunião acontecerá em um futuro próximo”, sem detalhar datas.
O chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, também falou em avanço, mas disse que não poderia revelar detalhes. O enviado especial do governo Trump, Steve Witkoff, mencionou “progresso significante” antes das reuniões.
Onde está o impasse
Fontes presentes nas conversas indicam que havia concordância em grande parte dos aspectos militares, com ambos os lados alinhando medidas em campo, porém a discordância maior segue sendo a questão territorial.
Enquanto Moscou exige a cessão de áreas do Donbas, Kiev rejeita entregar o restante da região leste ainda sob seu controle, e a disputa inclui também o destino e a segurança da usina de Zaporizhzhia.
Um negociador russo descreveu as conversas como tensas, segundo relatos da agência RIA Novosti, e as posições sobre soberania territorial permaneceram distantes.
Reações e próximos passos
Zelensky acusou a Rússia de arrastar as negociações, afirmando que um acordo para encerrar a guerra poderia já ter ocorrido, e pediu que a Europa participe das tratativas, que, segundo ele, seria “fundamentalmente necessária”.
Apesar do impasse, todos os lados confirmaram que novos encontros ocorrerão em breve, o que deixa aberta a possibilidade de avanços futuros, especialmente em questões militares que já apresentam convergência.
O desfecho da rodada em Genebra deixa claro que, mesmo com parte das questões técnicas avançando, a paz dependererá da resolução de disputas políticas e territoriais profundas, com atenção especial ao Donbas e à usina de Zaporizhzhia.