Nelson Tanure, alvo da PF na investigação do Banco Master: quem é o empresário envolvido em apreensão de celular, bloqueio de R$ 5,7 bilhões e polêmicas societárias
Nelson Tanure aparece em nova fase da operação da Polícia Federal sobre o Banco Master, com apreensão de celular e suspeitas sobre estrutura de fundos e influência sobre o banco
Nelson Tanure foi um dos alvos da segunda fase da operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.
Agentes foram a endereços ligados a familiares do dono do banco, e Tanure foi abordado no aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro antes de embarcar para Curitiba.
O caso traz à tona a trajetória de Tanure, marcada por aquisições de empresas em crise, reestruturações e diversas controvérsias societárias, e segue em apuração, conforme informação divulgada pelo g1.
Quem é Nelson Tanure
Nelson Tanure nasceu em Salvador, em 1951, e tem formação em Administração, conforme registros públicos. “Nascido em Salvador, em 1951, Tanure é formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).”
Começou na empresa imobiliária do pai e, a partir da década de 1980, passou a investir em companhias com dificuldades financeiras, comprando ativos depreciados e tentando recuperá-los.
Ao longo da carreira, atuou em setores como energia, telecomunicações, petróleo, saúde, infraestrutura e mídia, controlando empresas como a PetroRio e participações na Light, além de grupos de saúde e veículos de imprensa.
O que ocorreu na operação mais recente
Na ação desta quarta-feira, policiais cumpriram mandados em endereços ligados ao dono do banco, Daniel Vorcaro, e também a familiares.
Tanure foi localizado no aeroporto e, segundo a investigação, “O celular dele foi apreendido.”
Em outra fase da operação, houve bloqueio de patrimônio, com destaque para a informação de que “R$ 5,7 bilhões em bens foram bloqueados na operação”, medida que responde a pedidos de investigação e busca preservar ativos envolvidos nas apurações.
Investigações anteriores e pontos de controvérsia
No ano anterior, a Polícia Federal abriu investigação para apurar se Tanure seria o controlador de fato do Banco Master, sem aparecer formalmente como proprietário.
Segundo os investigadores, ele teria usado uma rede de empresas, fundos e estruturas financeiras para exercer influência sem autorização do Banco Central; na ocasião, Tanure negou vínculo societário ou poder de controle sobre a instituição.
A Trustee DTVM, frequentemente associada a Tanure, afirmou que renunciou à administração de fundos antes da operação da PF, e a CVM reabriu apuração sobre a OPA da Alliança Saúde relacionada a prazos na oferta a acionistas minoritários.
Principais polêmicas e desdobramentos
Além das questões envolvendo o Banco Master, Tanure enfrentou denúncias, como a do Ministério Público Federal sobre suposto uso de informação privilegiada na compra da Upcon pela Gafisa, entre 2019 e 2020.
A defesa de Tanure afirma que não houve crime nas operações, que atos foram aprovados por acionistas e que a CVM não apontou irregularidades formais em algumas dessas transações.
O caso segue em investigação, com ações de busca e apreensão e medidas cautelares, e deve continuar a movimentar decisões da Polícia Federal, da Receita e da CVM nos próximos meses.