Nelson Tanure, alvo da PF na investigação do Banco Master, quem é o empresário polêmico que reestruturou jornais, estaleiros, energia, telecom e saúde
Operação da Polícia Federal atinge Nelson Tanure no caso do Banco Master, mira também Daniel Vorcaro, familiares e investidores, com bloqueio de bens e buscas
Nelson Tanure aparece entre os alvos da segunda fase de uma operação da Polícia Federal que apura suspeitas ligadas ao Banco Master, em ações que incluíram buscas e bloqueios de bens.
O empresário tem perfil conhecido por atuar na compra e reestruturação de empresas em dificuldade, e sua trajetória atravessa setores como energia, telecomunicações, petróleo, mídia e saúde.
Na operação, segundo as apurações divulgadas, houve apreensões e bloqueios de bens, além de buscas em endereços relacionados a outros investigados, conforme informação divulgada pelo g1.
O que motivou a ação da PF
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (14) a segunda fase de uma operação que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master, com buscas em endereços ligados ao dono do banco, Daniel Vorcaro, e a familiares, como o pai, a irmã e o cunhado.
Além de Vorcaro, o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos, estão entre os alvos das medidas.
Bloqueios, apreensões e impacto
R$ 5,7 bilhões em bens foram bloqueados na operação, e em um dos endereços, agentes apreenderam fuzil e granadas.
As ações de busca e apreensão e os bloqueios visam preservar provas e recursos enquanto a investigação avança, e podem resultar em novas medidas dependendo dos resultados das diligências.
Trajetória de Nelson Tanure
Nelson Tanure nasceu em Salvador, em 1951, e é formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Bahia, UFBA.
Iniciou a carreira na empresa imobiliária do pai e, a partir dos anos 1980, passou a investir em companhias com dificuldades financeiras, especializando-se em compra e reestruturação de ativos depreciados.
Principais negócios e setores
No setor de petróleo, Tanure assumiu a então HRT, que depois deu origem à PetroRio, hoje PRIO, uma das maiores produtoras independentes do país.
No setor de mídia, nos anos 2000, assumiu o controle do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil, em um momento de crise do setor, e atuou em estaleiros como a Emaq, reestruturada e vendida posteriormente.
Em telecomunicações, seus investimentos levaram à criação da Ligga Telecom, a partir da aquisição de ativos como Copel Telecom e Sercomtel. Na área de saúde, ampliou participação ao controlar a Alliança Saúde.
Tanure também é acionista da Light, distribuidora que atende parte do estado do Rio de Janeiro, e tem investimentos em infraestrutura.
Disputas societárias e críticas
Apesar de perfil discreto, Nelson Tanure aparece frequentemente em noticias por disputas societárias, processos de recuperação judicial e debates sobre governança corporativa, em função de sua estratégia de reestruturação e uso intensivo de crédito.
Sua atuação gera resultados expressivos para ativos recuperados, mas também controvérsias e litígios entre sócios, o que o coloca no centro de atenção quando surgem investigações envolvendo empresas que controlou.
As investigações em curso sobre o Banco Master e os desdobramentos envolvendo Tanure devem esclarecer o alcance das suspeitas, e novas informações serão divulgadas conforme o andamento dos procedimentos legais.