Recall de fórmulas infantis atinge vários países, a empresa aponta risco em ingrediente e busca alternativas para manter o abastecimento
Um recall de fórmulas infantis foi anunciado envolvendo lotes das marcas SMA, BEBA e NAN, vendidos em diversos países da Europa, Turquia e Argentina.
A Nestlé informou que identificou um risco potencial relacionado a um ingrediente usado na produção, e que passou a testar e substituir fornecedores, além de aumentar a produção em outras fábricas.
É improvável que a toxina seja desativada ou destruída pelo cozimento, pelo uso de água fervente ou durante a fabricação do leite infantil, e a empresa afirma que “nenhuma doença havia sido confirmada em relação aos produtos recolhidos”, conforme informação divulgada pelo g1
O que se sabe sobre o recall e os produtos afetados
O recall começou de forma limitada em dezembro e foi ampliado em janeiro, abrangendo lotes distribuídos por vários países europeus, pela Turquia e pela Argentina.
A Nestlé disse ter identificado o risco potencial em uma fábrica na Holanda, enquanto a autoridade holandesa de segurança alimentar, NVWA, afirmou que a matéria-prima contaminada foi usada em vários locais de produção, inclusive fora do país.
O Ministério da Saúde da Áustria informou que o recall afeta “mais de 800 produtos de mais de 10 fábricas da Nestlé” e que seria o maior da história da empresa, informação que a Nestlé afirmou não poder confirmar de imediato.
Risco de contaminação, sintomas e orientação técnica
As suspeitas apontam para contaminação por cereulida, toxina produzida por algumas cepas da bactéria Bacillus cereus, que pode provocar náuseas e vômitos.
A agência de padrões alimentícios do Reino Unido, FSA, alertou que “é improvável que a toxina seja desativada ou destruída pelo cozimento, pelo uso de água fervente ou durante a fabricação do leite infantil”.
Jane Rawling, chefe de incidentes da FSA, disse que “a cereulida pode causar sintomas de intoxicação alimentar que se desenvolvem rapidamente e incluem vômitos e cólicas estomacais”, informação divulgada pelas autoridades.
Reação da Nestlé e medidas operacionais
Após detectar um problema de qualidade em um ingrediente fornecido por um parceiro, a Nestlé realizou testes em óleos de ácido araquidônico e em misturas usadas na produção de itens potencialmente afetados.
Com a conclusão dos testes, a empresa lançou o recall dos produtos afetados, acionou fornecedores alternativos para o óleo de ácido araquidônico, e aumentou a produção em várias fábricas para tentar mitigar impactos no abastecimento.
A companhia informou que acelerou a liberação de itens não afetados dos centros de distribuição, medida que busca reduzir desabastecimento nas prateleiras.
Impactos financeiros, posicional de mercado e conselhos para pais
O recall pressionou o valor das ações da Nestlé, que caíram “mais de 3% nas duas últimas sessões” segundo o relato sobre o movimento do mercado.
A Nestlé controla “quase um quarto do mercado global de nutrição infantil, estimado em US$ 92,2 bilhões, segundo o SkyQuest Technology Group” e informou que as fórmulas infantis fazem parte da divisão de Nutrição e Ciências da Saúde, responsável por “16,6% das vendas totais de 91,4 bilhões de francos suíços (US$ 115,4 bilhões) em 2024”.
Para os pais e cuidadores, especialistas e autoridades recomendam verificar lotes e avisos oficiais, interromper o consumo dos lotes listados pelas empresas e procurar orientação médica caso a criança apresente vômitos, cólicas intensas ou outros sintomas gastrointestinais.
Autoridades e a própria Nestlé afirmam continuar investigando a origem da contaminação e monitorando a situação, enquanto tentam preservar o fornecimento de fórmulas não afetadas aos mercados.