Netflix compra Warner Bros., oferece US$ 82,7 bilhões em dinheiro, conselho da WBD aprova novo acordo e movimenta disputa com a Paramount

Proposta em pagamento integral fixa US$ 27,75 por ação, retira exposição dos acionistas às oscilações da Netflix e altera o jogo entre gigantes do entretenimento

A Netflix alterou os termos de sua oferta para adquirir os estúdios e negócios de streaming da Warner Bros. Discovery, passando a oferecer pagamento integral em dinheiro, sem mudar o valor total de US$ 82,7 bilhões, segundo informações divulgadas pela empresa.

Na nova estrutura, os acionistas da Warner receberão um valor fixo por ação, em vez de parte em papéis da compradora, o que elimina a exposição às oscilações das ações da Netflix após a conclusão da operação.

O ajuste na oferta recebeu apoio unânime do conselho da empresa controladora da HBO, e a transação segue sujeita a aprovações regulatórias e outras condições usuais, conforme informação divulgada pelo g1.

Detalhes da proposta financeira

A Netflix passou a oferecer US$ 27,75 (R$ 149,71) por ação da Warner, com pagamento integral em dinheiro. Na proposta anterior, a compradora previa desembolso de US$ 23,25 (R$ 125,43) em dinheiro e o restante em ações da própria Netflix, avaliadas em US$ 4,50 (R$ 24,28) por papel.

Com a nova estrutura, os acionistas da Warner deixam de receber participação acionária na Netflix e passam a ter um valor fixo por ação, eliminando a exposição ao desempenho das ações da compradora no mercado após a conclusão da operação.

Motivos da mudança e a disputa com a Paramount

A alteração na oferta tem caráter estratégico, buscando dificultar a entrada de concorrentes no negócio, especialmente a Paramount, que mantém uma oferta hostil de US$ 77,9 bilhões pela Warner, incluindo canais a cabo.

Segundo a Warner, “um dos fatores que pesam a favor do acordo com a Netflix é a manutenção, pelos acionistas, de participação na parcela da empresa que não seria adquirida pelo serviço de streaming, o que permitiria exposição a eventuais resultados futuros.”

David Zaslav, presidente e CEO da Warner Bros. Discovery, ressaltou que “o acordo de fusão aproxima ainda mais da união de duas das maiores empresas de narrativa do mundo”, destacando o alcance das histórias e franquias da companhia.

Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, afirmou que “O Conselho da WBD continua a apoiar e a recomendar unanimemente a nossa transação, e estamos confiantes de que ela trará o melhor resultado para os acionistas, consumidores, criadores e toda a comunidade do entretenimento”, em declaração sobre o apoio do conselho.

Próximos passos e riscos regulatórios

A Warner Bros. Discovery anunciou que vai separar suas operações em duas empresas com ações negociadas em bolsa, Warner Bros. e Discovery Global, mas a conclusão dessa reorganização depende da efetivação da cisão da Discovery Global e da obtenção das aprovações regulatórias necessárias.

A expectativa é que o processo seja finalizado em um prazo de seis a nove meses, antecedendo a conclusão da transação proposta entre a Netflix e a Warner Bros., e a operação segue sujeita ao aval dos acionistas da WBD e ao cumprimento de outras condições usuais para esse tipo de negócio.

Analistas apontam que, além das autorizações regulatórias, entraves como revisão antitruste e a reação de acionistas e concorrentes podem alongar o cronograma ou forçar ajustes nos termos até a consumação do acordo.