Nobel da Paz 2023, Narges Mohammadi, é presa violentamente no Irã; ativista lutava contra leis rígidas para mulheres

A ativista iraniana Narges Mohammadi, laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 2023, foi detida violentamente em Teerã. A informação foi divulgada pela Fundação Narges Mohammadi, que também reportou que a prisão ocorreu durante uma cerimônia em homenagem a um advogado de direitos humanos recentemente falecido.

Mohammadi, de 54 anos, era uma das vozes mais proeminentes na luta contra as leis restritivas impostas às mulheres no Irã, incluindo o uso obrigatório do véu, a pena de morte e a proibição de viagens sem autorização masculina. Sua detenção gera apreensão sobre o futuro do ativismo no país.

A ativista havia recebido liberdade temporária em dezembro de 2024 devido a problemas de saúde, necessitando de tratamento para uma lesão óssea após sofrer múltiplos ataques cardíacos na prisão em 2022. No entanto, sua fundação alertou que o governo iraniano vinha ameaçando recapturá-la, o que poderia agravar seriamente seu estado de saúde.

Conforme divulgado pelo g1, Narges Mohammadi já foi presa diversas vezes e acumula condenações que somam 31 anos de prisão e 154 chibatadas. Antes de obter a licença médica, cumpria pena de 13 anos e nove meses por acusações como conspiração contra a segurança do Estado e propaganda contra o governo.

A voz contra a opressão e a “revolução feminina”

Narges Mohammadi se tornou um ícone da luta histórica das mulheres iranianas contra a opressão do regime e as leis severas. Ela emergiu como a principal porta-voz da chamada “revolução feminina”, que ganhou força após a morte de Mahsa Amini em 2022.

Mahsa Amini, uma jovem de 22 anos, foi presa pela polícia da moralidade por suposto “uso incorreto” do véu islâmico. Sua morte sob custódia policial desencadeou protestos massivos em todo o país, marcando um dos maiores movimentos contra o regime desde a Revolução Islâmica de 1979.

Durante esses protestos, mulheres desafiaram abertamente as autoridades, retirando e queimando seus véus em um ato de resistência. Mohammadi, mesmo presa, participou ativamente desse movimento, expressando sua oposição ao véu obrigatório e à proibição da voz das mulheres.

Prisão em circunstâncias controversas

A Fundação Narges Mohammadi descreveu a detenção como “violenta” e exigiu a libertação imediata e incondicional de todos os detidos na cerimônia. O comunicado ressaltou que as prisões constituem uma grave violação das liberdades fundamentais.

Até o momento da última atualização desta reportagem, o governo iraniano não havia confirmado oficialmente a prisão. A equipe médica de Mohammadi alertou que seu retorno à prisão poderia ter sérias consequências para seu bem-estar físico, dada sua condição de saúde.