Novas tarifas dos EUA entram em vigor com taxa adicional de 10%, Bolsonaro e exportadores observam impacto enquanto Japão, UE e Reino Unido buscam garantias
Aplicação imediata pela CBP, exceções listadas e risco de aumento futuro mantêm mercados em alerta
Os Estados Unidos passaram a aplicar uma tarifa adicional sobre importações não isentas, em medida anunciada na ordem presidencial de 20 de fevereiro de 2026.
A cobrança entrou em vigor à meia-noite, e passa a valer para produtos que não estejam listados como isentos, segundo aviso divulgado pela autoridade aduaneira americana.
O anúncio gerou questionamentos de parceiros comerciais, entre eles Japão, União Europeia e Reino Unido, sobre preservação de acordos e tratamento preferencial, conforme informação divulgada pelo g1.
Como funcionam as novas tarifas
A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, CBP, informou que, exceto os produtos listados como isentos, as importações “estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10%”.
Trata-se da taxa inicialmente anunciada pelo presidente Donald Trump, após decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas anteriores justificadas por emergência. Essas tarifas anteriores variavam de 10% a 50%.
A autoridade americana aplicou a medida com base na chamada Seção 122 da legislação, que autoriza o presidente a impor tarifas por até 150 dias a todos os países, com o objetivo de enfrentar déficits considerados “grandes e graves” na balança de pagamentos, segundo o texto da ordem.
Razões citadas pelos EUA e dados econômicos
Na ordem tarifária, o governo americano afirmou haver um desequilíbrio significativo nas contas externas dos EUA, refletido, citando números, em “um déficit comercial anual de US$ 1,2 trilhão em bens, um déficit em conta corrente equivalente a 4% do PIB e a reversão do superávit de renda primária”.
O argumento é usado para sustentar a adoção da tarifa temporária de 10%, denominada pelo governo como necessária para enfrentar problemas estruturais no sistema de pagamentos internacionais.
Reação internacional e incertezas sobre aumento para 15%
O anúncio ampliou a incerteza sobre a política comercial americana. No sábado, Trump havia afirmado que elevaria a tarifa para 15%, mas a CBP aplicou, inicialmente, a taxa de 10%.
O Financial Times citou um funcionário da Casa Branca segundo o qual o aumento para 15% ocorreria posteriormente com uma ordem formal, e a Reuters informou que não conseguiu confirmar essa informação de imediato.
Japão, União Europeia e Reino Unido pediram garantias de que serão tratados de forma tão favorável quanto nos acordos atuais, e a negociação sobre exceções e listas de produtos isentos deve ocupar o centro do diálogo diplomático nas próximas semanas.
O que vem a seguir e impacto para exportadores
A medida reduz a previsibilidade no comércio internacional e pode afetar cadeias globais de suprimentos, inclusive empresas brasileiras que exportam para os EUA ou competem com produtos importados.
O governo dos EUA advertiu que países não devem recuar de acordos recentemente firmados, e que eventuais recuos poderiam resultar na adoção de tarifas ainda mais elevadas, com base em outras leis comerciais, o que deixa aberta a possibilidade de novas medidas.
Enquanto isso, empresas e governos aguardam a publicação das listas de isenções e orientações adicionais da CBP, que definirão, na prática, quais produtos ficarão fora da cobrança adicional, e por quanto tempo a tarifa permanecerá em vigor.