Nomeação de Vahid para chefiar a Guarda Revolucionária do Irã reforça a linha-dura do regime, ele é procurado pela Interpol pelo atentado que matou 85 pessoas em 1994
O novo comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Vahid, assume um posto central num momento de grande tensão regional e de forte contestação interna.
Além de ser apontado pela Justiça argentina como um dos planejadores do ataque à AMIA, ele já ocupou cargos-chave no regime e está sob sanções ocidentais.
As informações sobre a nomeação e o passado de Vahid constam em reportagem do G1, conforme informação divulgada pelo g1
Acusações e histórico do atentado à AMIA
Vahid é procurado pela Interpol como suspeito pelo atentado de 1994 contra o centro comunitário judaico AMIA, em Buenos Aires, que matou 85 pessoas e feriu outras 300.
O ataque ao prédio da AMIA, ocorrido em 18 de julho de 1994, é considerado o mais letal da História argentina, a sede da Associação Mutual Israelita Argentina foi destruída pela explosão de um furgão carregado de 300 quilos de explosivos, e conduzido por um terrorista suicida do Hezbollah.
Em 2024, a Justiça argentina concluiu que o atentado foi patrocinado pelo regime iraniano, mas os acusados permanecem impunes, apesar dos mandados emitidos pela Interpol.
Carreira de Vahid e sanções internacionais
Com 67 anos, Vahid ocupou postos estratégicos no regime teocrático, ele foi ministro da Defesa entre 2009 e 2013, durante o governo de Mahmoud Ahmadinejad, e ministro do Interior de 2021 a 2024.
O atual comandante também esteve sob sanções do Departamento do Tesouro dos EUA e da União Europeia, medidas que o vinculam a operações externas e a ações de repressão interna.
Repressão doméstica e ascensão ao comando
Vahid teve papel central na repressão à onda de protestos de setembro de 2022, que eclodiu após a morte da estudante Masha Amini, e também supervisionou a repressão aos protestos posteriores que se espalharam pelas principais cidades, matando milhares de iranianos, segundo relatos.
Em dezembro do ano passado, Khamenei o nomeou vice-comandante da Guarda Revolucionária, função em que supervisionou ações internas antes de ser elevado ao comando da corporação.
Implicações regionais e política do regime
A Guarda Revolucionária atua como o principal pilar de proteção do regime clerical xiita do Irã, a nomeação de Vahid para substituir Pakpour, que comandava desde junho de 2025, sinaliza que o regime optou por dar continuidade à linha-dura para assegurar sua manutenção.
A sucessão também ocorre num contexto de ataques e tensões, Hossein Salami, antecessor de Pakpour, foi assassinado em um ataque israelense, e a escalada de violência no Oriente Médio tem provocado reações de países como os Estados Unidos.
O caso AMIA e a figura de Vahid manterão a atenção internacional sobre o Irã, por causa das acusações, das sanções, e do papel da Guarda Revolucionária em operações externas, conforme informação divulgada pelo g1