Nomeado novo chefe da Guarda Revolucionária do Irã, Vahid assume liderança em meio a mandados da Interpol por seu suposto envolvimento no atentado à AMIA de 1994
Vahid foi elevado ao posto no centro de uma crise política e de segurança, com impacto regional e investigações internacionais em curso.
Ele é apontado em ordens de busca, e a nova nomeação reacende questionamentos sobre responsabilidade por ataques no exterior.
A designação e as acusações contra ele voltam ao foco internacional, enquanto aliados e rivais observam a reação, conforme informação divulgada pelo g1
Quem é Vahid e trajetória no regime
Vahid, de 67 anos, ocupou cargos estratégicos no regime teocrático, incluindo ministro da Defesa entre 2009 e 2013, durante o governo Mahmoud Ahmadinejad, e ministro do Interior de 2021 a 2024.
Em dezembro do ano passado, Vahid foi alçado por Khamenei ao cargo de vice-comandante da Guarda Revolucionária e supervisionou a repressão igualmente violenta aos protestos contra o regime, que tiveram a adesão de comerciantes e se espalharam pelas principais cidades, matando milhares de iranianos.
Antes de chegar ao comando supremo da Guarda, ele também esteve ligado à Força Quds, braço que opera no exterior e conduz operações paramilitares.
Acusações relacionadas ao atentado à AMIA
Vahid é procurado pela Interpol como suspeito pelo atentado de 1994 contra o centro comunitário judaico AMIA, em Buenos Aires, que matou 85 pessoas e feriu outras 300.
Na época do ataque, ele comandava a Força Quds, que foi apontada pela Justiça como uma das autoras do planejamento. O prédio da Associação Mutual Israelita Argentina foi destruído pela explosão de um furgão carregado de 300 quilos de explosivos, e conduzido por um terrorista suicida do Hezbollah.
A Justiça argentina concluiu em 2024 que o atentado foi patrocinado pelo regime iraniano, mas os acusados permanecem impunes, apesar dos mandados emitidos pela Interpol.
Sanções e repercussão internacional
A nomeação de Vahid ocorre enquanto ele já estava sob sanções do Departamento de Tesouro dos EUA e da União Europeia, por seu papel em ações do Estado e na repressão interna.
Analistas dizem que escolher um oficial com esse perfil sinaliza continuidade da linha-dura pelo regime, uma tentativa de manter mecanismos de poder civil e militar unidos diante de pressões internas e externas.
A Guarda Revolucionária, pilar do regime xiita iraniano, era comandada por Pakpour desde junho de 2025, em substituição a Hossein Salami, que também foi assassinado em um ataque israelense, e a nova troca de comando pode influenciar as dinâmicas de crise na região.
Riscos de escalada e cenário regional
A nomeação de um chefe procurado pela Interpol por um ataque internacional aumenta o risco de tensões com países que cobram responsabilização, e pode agravar embates entre Irã, Israel e Estados Unidos.
Enquanto diplomacias tentam medir consequências práticas, a presença de mandados e sanções limita a mobilidade internacional do novo comandante e mantém a sombra sobre as relações exteriores do Irã.
Fontes e detalhes sobre as acusações e a trajetória de Vahid foram reportados pelo g1, e seguem como referência para o acompanhamento das próximas movimentações políticas e judiciais.