Óbitos no Brasil Sobem em 2024 Após 2 Anos de Queda: Envelhecimento Populacional é o Principal Vilão Aponta IBGE
Brasil registra aumento significativo de óbitos em 2024, revertendo tendência de queda e acendendo alerta sobre envelhecimento populacional.
Após dois anos consecutivos de diminuição, o número de mortes no Brasil voltou a crescer em 2024. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam um cenário preocupante, com um aumento de 4,6% em relação ao ano anterior.
Este é o primeiro aumento desde 2021, ano que marcou o pico de óbitos devido à pandemia de Covid-19. A reversão da tendência de queda acende um alerta para as autoridades e a população sobre as mudanças demográficas no país.
O IBGE aponta o envelhecimento da população como o principal motor por trás desse avanço. Com menos nascimentos e maior expectativa de vida, o Brasil concentra cada vez mais pessoas em faixas etárias onde o risco de mortalidade é naturalmente mais elevado. Conforme informação divulgada pelo g1, o crescimento de 4,6% nos óbitos em 2024 totalizou 1.495.386 mortes registradas.
Envelhecimento populacional: a causa principal por trás do aumento de mortes
A demógrafa Klivia Brayner de Oliveira, uma das responsáveis pela pesquisa, explica que o aumento de mortes era esperado após a queda nos casos de Covid-19. No entanto, o fator preponderante é o envelhecimento da população brasileira. A idade média dos brasileiros, que era de cerca de 28 anos em 2000, atingiu aproximadamente 35 anos em 2024.
Esse processo de envelhecimento é impulsionado principalmente pela queda no número de nascimentos. Consequentemente, a proporção de pessoas em faixas etárias mais avançadas aumenta, elevando a probabilidade de óbitos. A pesquisa do IBGE destaca que 96,6% do crescimento total dos óbitos corresponde a mortes por causas naturais, reforçando o impacto do envelhecimento.
Idosos respondem pela maioria dos óbitos e apresentam maior crescimento
Em 2024, a faixa etária de 60 anos ou mais foi a mais afetada, representando 72% de todos os óbitos registrados. O número de mortes nesse grupo teve um aumento expressivo de 5,6% em comparação com o ano anterior. Dentro desse grupo, o IBGE aponta que o aumento é ainda mais acentuado entre pessoas com 70 anos ou mais.
Esse dado reforça a tese de que o perfil demográfico do Brasil está mudando, com uma concentração cada vez maior de idosos, que naturalmente demandam mais cuidados de saúde e possuem maior vulnerabilidade a doenças.
Outras estatísticas do Registro Civil revelam mudanças sociais
As Estatísticas do Registro Civil de 2024, divulgadas pelo IBGE, também trouxeram outros dados relevantes sobre o cenário social brasileiro. O número de nascimentos registrados caiu pelo sexto ano consecutivo, com mais de 2,3 milhões de registros, uma redução de 5,8% em relação ao ano anterior.
Em contrapartida, os casamentos civis registraram 948.925 uniões, incluindo 12.187 entre pessoas do mesmo sexo. A idade média ao casar para homens do mesmo sexo foi de 34 anos, e para mulheres, 32 anos. Em uniões de sexos diferentes, a média foi de 29 anos para mulheres e 31 para homens.
Um dado notável é que a guarda compartilhada dos filhos menores de idade superou pela primeira vez a guarda exclusiva da mãe nos divórcios, com 45% das decisões contra 43%. Os cartórios informaram 428.301 divórcios em 2024, uma queda de 2,8% em relação a 2023, sendo 82% judiciais e 18% extrajudiciais.