Visual com óculos de sol de Macron no Fórum de Davos provocou valorização de quase 28% nas ações da fabricante, deslocou negociação em Milão e viralizou nas redes sociais
O aparente gesto simples de usar óculos durante um discurso transformou-se em movimento financeiro, cultural e midiático em poucos dias.
O efeito começou nas imagens do Fórum Econômico Mundial em Davos, e rapidamente atingiu a empresa produtora, suas ações e as conversas nas redes sociais.
O caso reúne moda, mercado e política em um episódio que rendeu ganhos milionários à fabricante, conforme informação divulgada pelo g1
Impacto financeiro imediato
As ações da fabricante italiana iVision Tech, que detém a marca francesa Henry Jullien, dispararam quase 28% nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, segundo os relatos.
O grupo informou que o modelo usado por Macron era o Pacific S 01, vendido por 659 euros (US$ 770) em seu site, e que a valorização das ações acrescentou cerca de 3,5 milhões de euros (US$ 4,1 milhões) à capitalização de mercado da empresa.
Antes do grande salto, as ações listadas em Milão subiram quase 6% na quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, e foram automaticamente suspensas da negociação durante a maior parte do dia, com novas interrupções na quinta-feira, conforme os registros de mercado.
Por que o visual viralizou
O uso dos óculos por Emmanuel Macron durante o discurso gerou memes, comentários e referências ao filme Top Gun, de 1986, o que ampliou o alcance do episódio além dos círculos financeiros.
As imagens circulavam em plataformas sociais com rapidez, e até o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou o assunto, ampliando ainda mais o efeito de exposição da marca.
Segundo relatos, a combinação entre imagem pública do líder, estilo aviador dos óculos e a cultura pop favoreceu o que analistas chamam de efeito viral, levando investidores e consumidores a reagirem em cadeia.
O que dizem a empresa e o governo
O gabinete de Macron afirmou que a escolha de usar óculos escuros durante o discurso, realizado em ambiente fechado, ocorreu para proteger os olhos do presidente, por causa do rompimento de um vaso sanguíneo, e que o governo não confirmou a marca dos óculos.
Apesar disso, o CEO da iVision Tech, Stefano Fulchir, disse à Reuters, “Isso certamente criou um efeito ‘uau’ sobre as ações”, e afirmou ter reconhecido claramente o modelo Henry Jullien, que, segundo ele, foi enviado a Macron em 2024.
O episódio revela como decisões pessoais de figuras públicas podem ter impacto direto em empresas de moda e luxo, ao mesmo tempo em que expõe dúvidas sobre transparência e influência entre imagem, comunicação e mercados.