Operação Banco Master: quem são os alvos da PF, Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Nelson Tanure e João Mansur na investigação de carteiras de crédito de R$ 12,2 bilhões

Investigação da Polícia Federal aponta teia de negócios, prisões, buscas e bloqueios de bens envolvendo o Banco Master, com risco de impacto de R$ 47 bilhões no mercado financeiro

A série de diligências da Polícia Federal ampliou, nas últimas semanas, o alcance das apurações sobre o Banco Master e pessoas ligadas ao conglomerado, em operações que incluem prisões, mandados de busca e apreensão e bloqueios de bens.

Os inquéritos tentam mapear se houve venda de carteiras de crédito fictícias ao Banco de Brasília, transação que teria causado um prejuízo estimado em R$ 12,2 bilhões, e se o esquema contou com estruturas societárias complexas para dissimular participações.

O caso envolve figuras do mercado financeiro e empresários de peso, e autoridades alertam para o efeito sistêmico no mercado, com impacto preliminar estimado em R$ 47 bilhões, conforme informação divulgada pelo g1.

Daniel Bueno Vorcaro, o epicentro das investigações

Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, é apontado pela Polícia Federal como líder de uma organização criminosa que teria atuado contra o Sistema Financeiro Nacional.

Vorcaro foi preso em 18 de novembro, quando tentava embarcar para Dubai, e foi solto em 28 de novembro por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, passando a usar tornozeleira eletrônica.

A PF afirma que o grupo articulou a venda de carteiras de crédito falsas ao BRB em 2025, numa operação que teria causado prejuízo de R$ 12,2 bilhões. A defesa nega irregularidades e afirmou, em nota, que “Daniel Vorcaro reafirma sua inocência, segue colaborando integralmente com as autoridades e acredita que a análise completa dos fatos afastará interpretações que não refletem a realidade”.

Em depoimento à PF, Vorcaro descreveu a estratégia do banco como baseada na garantia do Fundo Garantidor de Crédito, e disse que “O plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso, essa era a regra do jogo”.

Durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, a PF apreendeu um patrimônio avaliado em cerca de R$ 230 milhões em obras de arte, joias e dinheiro, e investiga contratos e relações políticas que ampliaram o alcance do caso.

Fabiano Campos Zettel, cunhado e empresário

Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi alvo da segunda fase da operação em 14 de janeiro, e detido no Aeroporto de Guarulhos prestes a embarcar para os Emirados Árabes Unidos, sendo liberado no mesmo dia.

Zettel é fundador e CEO da Moriah Asset, atua no setor de saúde e bem-estar, e é pastor vinculado à Igreja Batista da Lagoinha.

Em nota enviada à imprensa, a assessoria de Zettel disse que ele “tem atividades empresariais conhecidas e lícitas, sem relação alguma com a gestão do Banco Master”, e afirmou estar à disposição das autoridades.

João Carlos Mansur e a Reag, alvo de buscas e liquidação

João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, sofreu mandados de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, mas não foi preso.

A gestora, que passou a se chamar CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, foi liquidada pelo Banco Central em janeiro de 2026, em meio às apurações sobre movimentações atípicas e indícios de fraude em benefício do grupo Master.

Segundo a Anbima, a Reag chegou a administrar cerca de R$ 299 bilhões em fundos, e a empresa divulgou nota em que “vem a público repudiar alegações publicadas na imprensa que buscam indevidamente associar a companhia e a atuação de seus executivos a práticas irregulares e organizações criminosas, sem apresentar quaisquer provas de envolvimento em atos ilícitos”.

Nelson Tanure, figura conhecida com buscas autorizadas pelo STF

O empresário Nelson Tanure, 74 anos, também foi alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal na segunda fase da operação.

Reportagens apontaram que a Procuradoria-Geral da República descreveu Tanure como possível “sócio-oculto” nas relações financeiras de Vorcaro com o Banco Master, alegando influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas.

Após a deflagração da operação, advogados de Tanure publicaram carta na qual o empresário afirma, citando texto: “Não fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente, inclusive por meio de opções, instrumentos financeiros, debêntures conversíveis em ações ou quaisquer mecanismos equivalentes”.

O que muda e os próximos passos das investigações

As apurações seguem em múltiplas frentes, com nova remarcação de depoimentos e decisões judiciais que podem atingir outros executivos e empresas vinculadas ao conglomerado de Vorcaro.

Investigadores têm buscado rastrear fluxos financeiros, estruturas societárias e operações entre fundos, gestoras e o próprio banco, para confirmar se houve fraude, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro.

O desenrolar das investigações deve definir medidas adicionais, como novos bloqueios de ativos, pedidos de prisão e aprofundamento das ligações entre os investigados e eventuais impactos ao mercado, conforme informação divulgada pelo g1.