Oposição tenta derrubar governo da França após aprovação do acordo UE-Mercosul, RN e LFI apresentam moções contra Sébastien Lecornu e desafiam Macron

Crise política cresce com moções de desconfiança de França Insubmissa e Reunião Nacional por causa do acordo UE-Mercosul, risco político antes da eleição de 2027

O governo do presidente Emmanuel Macron enfrenta nova turbulência depois da aprovação provisória do acordo UE-Mercosul, com partidos de oposição apresentando moções contra o primeiro-ministro Sébastien Lecornu.

As iniciativas partem da extrema esquerda, França Insubmissa, e da extrema direita, Reunião Nacional, que dizem reagir à assinatura do tratado e às consequências para os agricultores franceses.

A possibilidade de derrubar o governo é remota, mas as moções funcionam como sinal político e podem influenciar o debate eleitoral de 2027, segundo analistas.

conforme informação divulgada pelo g1

O que foi apresentado no Parlamento

A manhã de sexta-feira foi marcada pela apresentação de moções de desconfiança contra o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, uma ação articulada por partidos que criticaram o acordo UE-Mercosul e a postura do Executivo.

A França Insubmissa (LFI) protocolou uma moção, e a Reunião Nacional (RN), liderada por Marine Le Pen, anunciou que também apresentaria iniciativa similar, em reação à assinatura promovida pela Comissão Europeia.

Apesar do gesto político, “As moções têm pouca chance de serem aprovadas”, disse Stewart Chau, analista do Verian Group, à Reuters.

Reações dos principais atores

O presidente do RN, Jordan Bardella, qualificou o voto de Macron contra o acordo como mera postura, afirmando que equivalia a “uma traição aos agricultores franceses”.

Mathilde Panot, do LFI, disse que a França foi “humilhada” por Bruxelas e no cenário mundial, e escreveu, “Lecornu e Macron devem sair”, no X.

Por sua vez, o primeiro-ministro reagiu que as moções enviam um sinal negativo ao exterior e podem enfraquecer a voz da França. “Apresentar uma moção de censura neste contexto… é optar por enfraquecer a voz da França em vez de demonstrar unidade nacional em defesa da nossa agricultura”, publicou Lecornu no X.

Como o acordo foi aprovado e as preocupações

Os Estados-membros da União Europeia deram sinal verde provisório ao pacto, que é apontado como o maior acordo de livre comércio já negociado, com mais de 25 anos de tramitação.

A França votou contra, juntando-se a Polónia, Hungria, Irlanda e Áustria, mas não conseguiu reunir apoio suficiente para bloquear a aprovação por maioria qualificada no Conselho da UE.

Os opositores temem aumento de importações de alimentos mais baratos, como carne bovina, aves e açúcar, o que poderia prejudicar produtores nacionais, enquanto setores como vinho, queijo e laticínios também avaliam impactos e ganhos distintos.

Impacto político e perspectivas para 2027

Analistas alertam que, embora as moções tenham poucas chances de sucesso imediato, o episódio pode fortalecer a narrativa da Reunião Nacional no interior rural, ampliando o discurso crítico à União Europeia e à política comercial de Macron.

Com o governo já sem maioria no Parlamento e um orçamento de 2026 em atraso, a assinatura do acordo UE-Mercosul colocou Lecornu e Macron numa corda bamba política, a pouco mais de um ano da eleição presidencial.

O desfecho dependerá agora da ratificação no Parlamento Europeu e da capacidade do governo francês de recuperar apoio interno e proteger os agricultores, enquanto a discussão segue polarizada entre interesses comerciais e preocupações rurais.