Origem do jogo Jenga: como Leslie Scott transformou blocos de madeira de Gana em fenômeno mundial, a história do nome e as 100 milhões de unidades vendidas
Do jogo improvisado com sobras de serraria em Gana até a Feira do Brinquedo em Londres, a persistência de uma designer manteve o nome Jenga e levou o produto ao mercado mundial
São 54 blocos idênticos empilhados em grupos de três, cada jogador retira um bloco e o coloca no topo, até a torre cair. A simplicidade virou desafio e divertimento familiar.
A origem veio da infância de Leslie Scott no leste da África, onde sobras de madeira viraram um passatempo, e a ideia viajou com ela ao Reino Unido, ganhando formato de produto comercial.
Ao longo de décadas, o jogo cresceu entre rejeições e uma negociação decisiva que manteve seu nome original, e hoje figura entre os brinquedos mais conhecidos do mundo, com cerca de 100 milhões de unidades vendidas em todo o mundo, conforme informação divulgada pela BBC.
Como nasceu o jogo
A criação aconteceu em Gana, nos anos 1970, quando a família de Leslie Scott usava blocos retangulares, sobras de uma serraria, para inventar brincadeiras. A designer lembra, “Somos uma família muito competitiva, no sentido de que, em qualquer reunião, acabávamos jogando algum jogo”, afirmando a cultura familiar que estimulou o passatempo.
Naquela primeira versão, o objetivo já era simples, tirar um bloco e colocá-lo no topo, e a dinâmica de risco e tensão garantiu que o jogo crescesse em interesse em reuniões familiares, até se tornar uma ideia comercial.
Do hobby à tentativa de mercado
Depois de se mudar para o Reino Unido, Leslie levou caixas com o jogo para eventos, e foi em uma arrecadação de fundos que percebeu o potencial real da sua criação, quando o público apontou o brinquedo como atração principal do evento.
Em 1983, com um empréstimo e apoio familiar, ela produziu as primeiras unidades e participou da Feira do Brinquedo de Londres. Do ponto de vista comercial, a estreia foi um fiasco, “Achei que estava indo muito bem, mas não recebi nenhum pedido”, segundo relato de Scott à BBC.
A negociação que manteve o nome
O impulso comercial veio com uma apresentação no Canadá, onde a Irwin Toy demonstrou interesse em licenciar o produto. A empresa gostava do jogo, porém queria mudar o nome. Scott foi taxativa, apoiando o termo que vinha do suaíli, e não cedeu.
Ela explicou a origem do nome, lembrando que a palavra suaíli “Kujenga” significa “construir”, e que havia escolhido Jenga a partir dessa ideia e do apelido do cachorro da família, “Kucheza”, que quer dizer “jogar”, mantendo assim a ligação cultural da origem.
Legado e reconhecimento
A insistência no nome foi determinante para o sucesso, e com o tempo Jenga saiu do nicho para integrar o mercado global, permitindo que Scott quitasse dívidas e preservasse a casa da mãe que havia sido dada como garantia para empréstimos.
Hoje, o jogo faz parte do National Toy Hall of Fame nos Estados Unidos, e Leslie Scott seguiu a carreira como designer, lançando mais de 40 jogos, enquanto Jenga se mantém um clássico, com público de várias idades ao redor do mundo.