Ouro dispara até 7%, mira maior alta diária desde 2008 com prata em forte recuperação, investidores reagem a indicação de Kevin Warsh ao Fed e ajuste de margens

Ouro volta a subir com ganho expressivo, prata avança mais de 11%, enquanto expectativa sobre Kevin Warsh no Fed e aumento de margem da CME influenciam fluxo em metais preciosos

O preço do ouro registrou forte alta nesta terça-feira, com investidores aproveitando níveis mais baixos após quedas recentes, e a prata acompanhou o movimento com ganhos ainda mais acentuados.

O avanço recolocou o metal dourado no caminho de sua maior valorização diária desde 2008, enquanto operadores avaliam os efeitos da indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve, entre outras pressões de mercado.

Os dados e comentários sobre a sessão e as cotações foram divulgados pela imprensa especializada, conforme informação divulgada pelo g1

Movimento de preços e números do mercado

Por volta das 14h, o ouro à vista avançava 6,9%, cotado a US$ 4.985,44 por onça, recuperando-se da mínima da véspera, de US$ 4.403,24, embora ainda abaixo do recorde da semana anterior, de US$ 5.594,82.

No mercado futuro, os contratos para entrega em abril subiam 7,7%, para US$ 5.011 por onça, refletindo forte compra em níveis considerados atraentes por operadores.

A prata teve alta mais intensa, avançando 11,7%, cotada a US$ 88,74 por onça, depois de ter sofrido queda de 27% na sexta-feira e novo recuo de 6% na sessão de segunda-feira.

Fatores por trás da volatilidade

Analistas citam duas forças principais que explicam a oscilação em metais preciosos, um grupo que inclui ainda platina e paládio. Primeiro, a indicação de Kevin Warsh para presidir o Fed gerou incertezas sobre a política monetária futura, já que a expectativa é de que ele apoie cortes de juros, mas adote postura mais restritiva quanto ao tamanho do balanço do banco central.

Segundo, a decisão do CME Group de elevar exigências de margem para contratos futuros tende a reduzir a alavancagem dos investidores, pressionando vendas em momentos de estresse e amplificando movimentos no curto prazo.

Visão de especialistas e cenário médio e longo prazo

Para Peter Grant, vice-presidente e estrategista sênior de metais da Zaner Metals, as perdas recentes são um ajuste dentro de uma tendência mais ampla de valorização, com suporte em torno de US$ 4.400 e resistência próxima de US$ 5.100.

Jeffrey Christian, sócio-gerente da CPM Group, afirma haver expectativa de retomada gradual da valorização, à medida que persistem preocupações econômicas e políticas, o que sustenta a ideia do ouro como ativo de proteção.

Panorama de outros metais e fatores macro

Entre outros metais, a platina à vista subia 6%, negociada a US$ 2.248,20 por onça, enquanto o paládio avançava 4,8%, para US$ 1.802,43, mostrando que o movimento foi amplo no segmento.

Além disso, a divulgação do relatório de emprego de janeiro nos EUA foi adiada em razão da paralisação parcial do governo federal, adicionando um elemento de incerteza macroeconômica ao apetite por ativos de proteção.

Mesmo com a volatilidade recente, analistas consultados seguem projetando continuidade do movimento de alta no médio e longo prazo, com possibilidade de novos recordes ao longo do ano, caso persistam cenários de juros mais baixos e tensões geopolíticas.