Ouro à vista sobe 2,2% a US$ 5.046,47 por onça, depois de quase 6% na sessão anterior, com temores geopolíticos e dúvidas sobre a política de juros nos EUA
O ouro voltou a registrar fortes ganhos nesta quarta-feira, em sequência ao maior avanço diário do metal em 17 anos.
Investidores buscaram o metal como ativo de refúgio diante da escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irã, e de incertezas sobre a condução da política monetária americana.
Por volta das 09h18, o mercado mostrava nova valorização nos contratos à vista e futuros, ampliando a volatilidade observada nos últimos dias, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o ouro subiu
A valorização do ouro reflete, segundo analistas, uma combinação de fatores que elevam a demanda por ativos seguros.
Em declaração citada pelas agências, Nitesh Shah, estrategista de commodities da WisdomTree, afirmou, “Há uma soma de riscos impulsionando a demanda, incluindo dúvidas sobre a independência do banco central americano e o aumento das tensões geopolíticas“.
No campo geopolítico, as Forças Armadas dos EUA informaram que derrubaram um drone iraniano que se aproximou de forma considerada agressiva do porta-aviões Abraham Lincoln, no Mar da Arábia, em um episódio que ocorreu enquanto diplomatas tentavam viabilizar negociações nucleares entre os dois países.
Preços, variações e outros metais
Por volta das 09h18 (horário de Brasília), o ouro à vista avançava 2,2%, cotado a US$ 5.046,47 por onça, após ter subido quase 6% na sessão anterior.
Já os contratos futuros do metal nos EUA, com vencimento em abril, registravam alta de 2,7%, negociados a US$ 5.068,90 por onça.
O metal vinha de uma forte correção recente, com queda próxima de 10% acumulada na segunda-feira, em parte pressionado pela indicação de Kevin Warsh para comandar o Fed e pelo aumento das exigências de margem para contratos futuros pela CME.
Apesar da oscilação, o ouro ainda acumula valorização superior a 17% no ano. Entre outros metais, a prata à vista subia 5,7%, cotada a US$ 90 por onça, a platina avançava 4%, para US$ 2.297,58 por onça, enquanto o paládio subia 5,3%, a US$ 1.825.
Cenário para juros e expectativa do mercado
O mercado também aguarda dados econômicos que podem indicar os próximos passos do Federal Reserve, em especial o relatório de emprego do setor privado nos EUA, o ADP.
Atualmente, investidores projetam ao menos dois cortes de juros em 2026, cenário que tende a favorecer o ouro, já que o metal não oferece rendimento e se torna mais atrativo com juros mais baixos ou em queda.
Na avaliação de Giovanni Staunovo, analista do UBS, “Com a expectativa de novos cortes de juros, o ambiente tende a favorecer o ouro“, segundo declaração citada pela Reuters.
Riscos e próximos passos
Além das tensões no Golfo e das disputas políticas internas nos EUA, o debate em torno da autonomia do Fed ganhou destaque após declarações do presidente americano, Donald Trump, que afirmou que “a investigação envolvendo o presidente da instituição, Jerome Powell, deveria seguir até o fim”.
Analistas apontam que novos desenvolvimentos geopolíticos, decisões do Fed e ajustes nas exigências de margem podem manter a volatilidade nos preços do ouro nas próximas semanas, enquanto o mercado busca sinais mais claros sobre o rumo dos juros e dos riscos internacionais.