quinta-feira, junho 4, 2026

Ouro dispara com escalada entre EUA e Irã e incerteza sobre juros do Fed, investidores buscam proteção enquanto metal registra maior alta diária em 17 anos

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Ouro sobe com força, cotado a US$ 5.046,47 por onça, diante de tensões entre EUA e Irã e dúvidas sobre a política de juros do Federal Reserve

O preço do ouro voltou a subir de forma acentuada nesta quarta-feira, em meio ao aumento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, e a incerteza sobre o rumo da política de juros nos EUA.

Os investidores voltaram a buscar o metal como proteção, depois da queda recente que deu lugar a um movimento de recuperação nas últimas sessões.

Os dados e declarações que mexem com o mercado devem orientar os próximos passos dos investidores, conforme informação divulgada pelo g1.

Alta e números do mercado

Pela manhã, o ouro à vista avançava 2,2%, cotado a US$ 5.046,47 por onça, após ter subido quase 6% na sessão anterior. Os contratos futuros com vencimento em abril subiam 2,7%, a US$ 5.068,90 por onça.

O movimento ocorre depois do que foi descrito como o maior ganho diário do metal em 17 anos, em uma combinação de busca por segurança e fatores técnicos de mercado.

Razões por trás da alta

Entre os motivos apontados pelo mercado está a escalada das tensões geopolíticas, em especial o episódio em que as Forças Armadas dos EUA informaram ter derrubado um drone iraniano que se aproximou de forma considerada agressiva do porta-aviões Abraham Lincoln, no Mar da Arábia.

Além disso, declarações do presidente americano reacenderam preocupações sobre a autonomia do Federal Reserve, o que alimentou dúvidas sobre o futuro caminho dos juros nos EUA.

Segundo Nitesh Shah, estrategista de commodities da WisdomTree, “Há uma soma de riscos impulsionando a demanda, incluindo dúvidas sobre a independência do banco central americano e o aumento das tensões geopolíticas“, em declaração à Reuters citada pelo mercado.

Cenário para juros e implicações

O mercado também está atento a indicadores econômicos, como o relatório de emprego do setor privado ADP, que pode dar pistas sobre os próximos passos do Fed e a trajetória dos juros.

Atualmente, investidores projetam ao menos dois cortes de juros em 2026, cenário que tende a favorecer o ouro, já que o metal não oferece rendimento e fica mais atraente com juros mais baixos.

Na avaliação de Giovanni Staunovo, analista do UBS, “Com a expectativa de novos cortes de juros, o ambiente tende a favorecer o ouro“, segundo comentário à Reuters.

Impacto em outros metais

O movimento de busca por ativos seguros também beneficiou outros metais preciosos. A prata à vista subia 5,7%, cotada a US$ 90 por onça.

No início da semana, a prata havia recuado para a mínima de um mês, US$ 71,33, depois de alcançar um recorde histórico de US$ 121,64 na semana anterior. A platina avançava 4%, para US$ 2.297,58 por onça, enquanto o paládio subia 5,3%, a US$ 1.825.

Apesar da volatilidade recente, o ouro ainda acumula valorização superior a 17% no ano, refletindo a persistente demanda por proteção em um contexto de riscos geopolíticos e dúvidas sobre a política monetária americana.

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