Ouro dispara com escalada entre EUA e Irã e incertezas sobre os juros, entenda por que metal subiu até 6% e acumula alta de 17% no ano

Mercado mira o ouro como porto seguro após dano nas relações EUA e Irã, sinais de interferência no Fed e projeções de pelo menos dois cortes de juros em 2026

O ouro voltou a subir nesta quarta-feira, dando sequência ao forte avanço registrado na véspera, numa reação que mistura risco geopolítico e dúvidas sobre o rumo da política monetária americana.

Investidores voltaram a procurar ativos considerados mais seguros diante do aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, e também por receios sobre a independência do banco central dos EUA, o Federal Reserve.

No fim da manhã, a imprensa financeira repercutia dados e falas de analistas que ajudam a explicar o movimento do mercado, conforme informação divulgada pelo g1

Preços e leitura imediata do mercado

Por volta das 09h18, o ouro à vista avançava 2,2%, cotado a US$ 5.046,47 por onça, após ter subido quase 6% na sessão anterior. Já os contratos futuros do metal nos EUA, com vencimento em abril, registravam alta de 2,7%, negociados a US$ 5.068,90 por onça.

O salto deu continuidade ao que foi descrito como o maior ganho diário do metal em 17 anos, em meio a uma combinação de fluxo comprador e ajustes de posições após forte volatilidade recente.

Fatores geopolíticos e monetários que pressionam a busca por ouro

Do ponto de vista geopolítico, as Forças Armadas dos EUA informaram que derrubaram um drone iraniano que se aproximou de forma considerada agressiva do porta-aviões Abraham Lincoln, no Mar da Arábia, episódio que elevou a aversão ao risco.

No campo monetário, declarações do presidente americano reacenderam preocupações sobre a autonomia do Fed, e houve menção a nomeações que alteraram expectativas, entre elas a indicação de Kevin Warsh para comandar o banco central, e ao aumento das exigências de margem para contratos futuros pela CME.

Sobre as razões do movimento, “Há uma soma de riscos impulsionando a demanda, incluindo dúvidas sobre a independência do banco central americano e o aumento das tensões geopolíticas”, afirmou Nitesh Shah, estrategista de commodities da WisdomTree.

Volatilidade recente e panorama para os juros

O ouro vinha de uma forte correção, com o metal acumulando queda próxima de 10% em dias anteriores, um movimento descrito como o maior recuo em dois dias em décadas. Apesar disso, a cotação ainda registra valorização superior a 17% no ano.

O mercado aguarda dados de emprego, como o relatório ADP, que podem dar pistas sobre os próximos passos do Fed. Atualmente, investidores projetam ao menos dois cortes de juros em 2026, expectativas que tendem a favorecer o ouro, já que o metal não oferece rendimento e costuma se valorizar em ambiente de juros mais baixos.

“Com a expectativa de novos cortes de juros, o ambiente tende a favorecer o ouro”, afirmou à Reuters Giovanni Staunovo, analista do UBS.

Desempenho de outros metais preciosos

Entre os demais metais, a prata à vista subia 5,7%, cotada a US$ 90 por onça. No início da semana, a prata havia recuado para a mínima de um mês, a US$ 71,33, após ter alcançado um recorde histórico de US$ 121,64 na semana anterior.

A platina avançava 4%, para US$ 2.297,58 por onça, enquanto o paládio subia 5,3%, a US$ 1.825, refletindo, em conjunto com o ouro, uma busca por proteção diante das incertezas geopolíticas e monetárias.