Ouro sobe 6,9% e caminha para maior alta diária desde 2008, prata avança 11,7% após indicação de Warsh ao Fed e ajuste de margens da CME

Alta do ouro e da prata acontece com investidores aproveitando preços mais baixos, enquanto incertezas externas e mudanças nas regras de margem pressionam o mercado

O preço do ouro registrou forte recuperação nesta terça-feira, com investidores voltando a comprar após quedas recentes.

Ao mesmo tempo, a prata apresentou alta ainda mais intensa, em um movimento que junta fatores de apoio e ajustes técnicos no mercado.

Os números e análises a seguir ajudam a entender por que os metais preciosos dispararam nesta sessão, conforme informação divulgada pelo g1.

Movimento dos preços e dados do mercado

Por volta das 14h, o ouro à vista avançava 6,9%, sendo negociado a US$ 4.985,44 por onça, uma recuperação da mínima da véspera, de US$ 4.403,24, embora ainda abaixo do recorde histórico de US$ 5.594,82.

No mercado futuro, os contratos de ouro para entrega em abril subiam 7,7%, para US$ 5.011 por onça. A prata teve alta mais intensa, avançando 11,7%, e era cotada a US$ 88,74 por onça, depois de uma queda de 27% na sexta-feira e novo recuo de 6% na sessão de segunda-feira.

Entre outros metais, a platina à vista subia 6%, negociada a US$ 2.248,20 por onça, enquanto o paládio avançava 4,8%, para US$ 1.802,43.

Fatores que impulsionaram a recuperação

Parte da alta reflete investidores aproveitando níveis de preço mais baixos para recompor posições, e também a visão de que as perdas recentes podem ser um ajuste dentro de uma tendência de valorização mais ampla.

Para Peter Grant, vice-presidente e estrategista sênior de metais da Zaner Metals, “as perdas recentes fazem parte de um ajuste dentro de uma tendência mais ampla”, e ele aponta níveis de US$ 4.400 como referência de suporte e a região próxima de US$ 5.100 como possível resistência.

Impacto da indicação de Warsh ao Fed e das regras da CME

Os preços haviam recuado após a indicação de Kevin Warsh para assumir a presidência do Federal Reserve, no lugar de Jerome Powell, que deixará o cargo em maio, já que o mercado avalia que Warsh pode apoiar cortes de juros, mas adotar postura mais restritiva sobre o balanço do banco central.

Outro fator relevante foi a decisão do CME Group de elevar as exigências de margem para contratos futuros de metais preciosos, medida que tende a reduzir a alavancagem dos investidores e aumentar a volatilidade no curto prazo.

Perspectivas e papel do ouro como proteção

Analistas continuam projetando continuidade da valorização no médio e longo prazo, com possibilidade de novos recordes ao longo do ano.

Jeffrey Christian, sócio-gerente da CPM Group, afirma que “a expectativa é de retomada gradual da valorização”, à medida que persistem preocupações dos investidores com o cenário econômico e político.

Além disso, fatores externos, como a paralisação parcial do governo federal dos EUA, afetaram a divulgação de dados, já que o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos informou que “o relatório de emprego de janeiro não será divulgado nesta sexta-feira, em razão da paralisação parcial do governo federal”, um elemento que contribui para a visão do ouro como ativo de proteção.