quinta-feira, junho 4, 2026

Ouro sobe com escalada entre EUA e Irã e incerteza sobre juros do Fed, investidores buscam segurança enquanto prata e platina também avançam

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Incidente com drone iraniano perto do porta-aviões Abraham Lincoln e declarações sobre investigação contra Jerome Powell ampliam demanda por ouro em meio a dúvidas sobre cortes de juros

O preço do ouro voltou a subir nesta quarta-feira, dando sequência a uma forte alta registrada na véspera, com investidores buscando ativos considerados mais seguros diante de riscos geopolíticos e de incertezas sobre a política monetária americana.

O movimento reflete um conjunto de fatores, entre eles um episódio militar no Mar da Arábia e declarações que reacenderam dúvidas sobre a autonomia do banco central dos EUA, fatores que pesaram na avaliação de risco global.

As informações foram compiladas a partir de reportagem do g1, com dados de mercado e entrevistas citadas à Reuters, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o ouro ganhou força

Analistas apontam que a combinação de tensões geopolíticas e incertezas sobre os rumos da política de juros nos Estados Unidos tem aumentado a demanda pelo ouro. Em especial, a percepção de risco eleva o apetite por ativos de proteção, enquanto dúvidas sobre o Federal Reserve reduzem o atrativo de investimentos atrelados a juros.

No campo geopolítico, as Forças Armadas dos EUA informaram que derrubaram um drone iraniano que se aproximou de forma considerada agressiva do porta-aviões Abraham Lincoln, em uma área do Mar da Arábia, episódio que ocorreu enquanto diplomatas tentavam viabilizar negociações nucleares entre os dois países.

Além disso, declarações do presidente Donald Trump sobre a investigação envolvendo o presidente do Fed, Jerome Powell, reacenderam preocupações sobre a independência da instituição, e isso também pesou no apetite por ativos considerados de baixo risco.

Dados de mercado e cotações citadas

Por volta das 09h18, horário de Brasília, o ouro à vista avançava 2,2%, cotado a US$ 5.046,47 por onça, após ter subido quase 6% na sessão anterior. Já os contratos futuros do metal nos EUA, com vencimento em abril, registravam alta de 2,7%, negociados a US$ 5.068,90 por onça.

Segundo a reportagem, a recuperação ocorre depois de uma correção recente, quando o metal acumulou queda próxima de 10% em um dia. Ainda assim, o ouro acumula valorização superior a 17% no ano.

No conjunto dos metais preciosos, a prata à vista subia 5,7%, cotada a US$ 90 por onça, após ter recuado no início da semana para US$ 71,33. A platina avançava 4%, para US$ 2.297,58 por onça, enquanto o paládio subia 5,3%, a US$ 1.825.

O que dizem os analistas

“Há uma soma de riscos impulsionando a demanda, incluindo dúvidas sobre a independência do banco central americano e o aumento das tensões geopolíticas”, afirmou Nitesh Shah, estrategista de commodities da WisdomTree, citado pela reportagem.

Sobre o efeito da política monetária, Giovanni Staunovo, analista do UBS, afirmou à Reuters, “Com a expectativa de novos cortes de juros, o ambiente tende a favorecer o ouro”, indicando que a perspectiva de redução dos juros em 2026 pode manter suporte às cotações do metal.

O que os investidores vão monitorar

O mercado aguarda a divulgação do relatório de emprego do setor privado nos EUA, o ADP, para obter pistas sobre os próximos passos do Fed. Atualmente, investidores projetam ao menos dois cortes de juros em 2026, cenário que tende a favorecer o ouro, por não render juros e, portanto, se tornar mais atraente quando as taxas estão em queda.

Em meio à volatilidade, operadores também observam medidas como aumentos de exigência de margem para contratos futuros, que podem intensificar movimentos de correção de preços, e desdobramentos diplomáticos entre EUA e Irã, que definem o grau de aversão ao risco no curto prazo.

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