Em episódio perto do porta-aviões Abraham Lincoln e com declarações sobre o Fed, o preço do ouro avança, investidores avaliam cortes de juros em 2026 e buscam ativos seguros
O ouro voltou a subir nesta quarta-feira, dando sequência ao forte avanço da sessão anterior. O movimento reflete a busca por ativos considerados mais seguros, em um cenário de tensão geopolítica e dúvidas sobre a política monetária americana.
Por volta das 09h18, o ouro à vista avançava 2,2%, cotado a US$ 5.046,47 por onça, após ter subido quase 6% na sessão anterior, e os contratos futuros com vencimento em abril registravam alta de 2,7%, a US$ 5.068,90 por onça.
O forte movimento do metal tem origem em fatores geopolíticos e em sinais contraditórios sobre os juros, o que tem levado investidores a ajustar posições, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o ouro subiu agora
O avanço foi acelerado após as Forças Armadas dos EUA informarem que derrubaram um drone iraniano, que teria se aproximado de forma considerada agressiva do porta-aviões Abraham Lincoln, no Mar da Arábia.
O episódio ocorreu enquanto diplomatas tentavam viabilizar negociações entre os dois países, elevando a percepção de risco e a demanda por proteção, em especial pelo papel tradicional do ouro como porto seguro.
O papel das expectativas sobre juros e das declarações políticas
Além das tensões externas, declarações do presidente dos EUA reacenderam preocupações sobre a autonomia do Federal Reserve, com impacto direto na avaliação de ativos sensíveis a juros.
Segundo analistas ouvidos pela Reuters, “Há uma soma de riscos impulsionando a demanda, incluindo dúvidas sobre a independência do banco central americano e o aumento das tensões geopolíticas”, afirmou Nitesh Shah, estrategista de commodities da WisdomTree.
Investidores também observam sinais sobre o futuro da política monetária, com projeções de ao menos dois cortes de juros em 2026, o que tende a favorecer o ouro, que não rende juros, mas fica mais atraente quando as taxas caem.
Volatilidade recente e outros fatores de mercado
O metal vinha de forte correção recente, com queda próxima de 10% em uma sessão, pressionado pela indicação de Kevin Warsh para comandar o Fed e pelo aumento das exigências de margem para contratos futuros pela CME.
Apesar da volatilidade, o ouro acumula valorização superior a 17% no ano, e analistas esperam nova alta ao longo dos próximos meses. “Com a expectativa de novos cortes de juros, o ambiente tende a favorecer o ouro”, afirmou à Reuters Giovanni Staunovo, analista do UBS.
Impacto em outros metais preciosos e próximos indicadores
O movimento no ouro se refletiu em outros metais, com a prata à vista subindo 5,7%, cotada a US$ 90 por onça. A prata havia recuado para US$ 71,33 no início da semana, após alcançar um recorde histórico de US$ 121,64 na semana anterior.
A platina avançou 4%, para US$ 2.297,58 por onça, enquanto o paládio subiu 5,3%, a US$ 1.825. No curto prazo, o mercado monitora a divulgação do relatório de emprego do setor privado nos EUA, o ADP, que pode oferecer pistas sobre os próximos passos do Fed.