Ouro sobe forte e caminha para nova disparada, prata acompanha; impacto da indicação de Kevin Warsh ao Fed, volatilidade e margens elevadas
Mercado reagiu a níveis mais baixos e incertezas externas, com investidores aproveitando a queda para recomprar posições em ouro e prata
O metal amarelo e a prata registraram forte recuperação nesta terça-feira, com movimento de retorno após perdas recentes, em um dia de forte volatilidade nos mercados de metais preciosos.
Investidores aproveitaram níveis de preço mais baixos para recomprar posições, enquanto notícias sobre política monetária americana e ajustes nas exigências de margem alteraram o apetite por risco.
Os números e declarações que seguem foram divulgados por veículos de imprensa e compilados para explicar os fatores por trás do movimento, conforme informação divulgada pelo g1.
Movimento intradiário e cotações
Por volta das 14h, o ouro à vista avançava 6,9%, sendo negociado a US$ 4.985,44 por onça, recuperando-se da mínima da véspera, de US$ 4.403,24, embora ainda abaixo do recorde recente de US$ 5.594,82 alcançado na semana anterior.
No mercado futuro, os contratos de ouro para entrega em abril subiam 7,7%, para US$ 5.011 por onça.
A prata teve alta ainda mais intensa, subindo 11,7% e sendo cotada a US$ 88,74 por onça, depois de ter sofrido uma queda de 27% na sexta-feira e novo recuo de 6% na sessão de segunda-feira.
Fatores que ajudaram a puxar os preços
Entre os motivos apontados para a virada, está a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve, no lugar de Jerome Powell, que deixará o cargo em maio.
A publicação informou que, “A expectativa do mercado é de que Warsh apoie cortes de juros, mas adote uma postura mais restritiva em relação ao tamanho do balanço do banco central americano”, o que alimentou movimentos rápidos de realocação entre ativos.
O impacto das operações alavancadas também ganhou destaque, após a decisão da CME Group de elevar as exigências de margem para contratos futuros de metais preciosos, “o que tende a reduzir a alavancagem dos investidores”.
Na visão de especialistas do mercado, parte da volatilidade recente reflete ajustes dentro de uma tendência de alta mais ampla. Conforme Peter Grant, vice-presidente e estrategista sênior de metais da Zaner Metals, “as perdas recentes fazem parte de um ajuste dentro de uma tendência mais ampla”.
Grant acrescentou que o mercado pode passar por estabilização, com o patamar de US$ 4.400 funcionando como referência de suporte e a região próxima de US$ 5.100 como um possível limite de resistência, “o patamar de US$ 4.400 funcionando como referência de suporte e a região próxima de US$ 5.100 como um possível limite de resistência”.
Também segundo a apuração, Jeffrey Christian, sócio-gerente da CPM Group, afirmou que “a expectativa é de retomada gradual da valorização, à medida que persistem as preocupações dos investidores com o cenário econômico e político”.
Outros metais e riscos no curto prazo
Além de ouro e prata, a platina à vista subia 6%, negociada a US$ 2.248,20 por onça, enquanto o paládio avançava 4,8%, para US$ 1.802,43 por onça.
O relatório de emprego de janeiro dos Estados Unidos também foi afetado pela paralisação parcial do governo federal, com o Departamento de Estatísticas do Trabalho informando que o documento não será divulgado nesta sexta-feira, o que adiciona incerteza ao calendário econômico.
Analistas consultados seguem projetando continuidade do movimento de alta no médio e longo prazo para o ouro, considerando a função do metal como ativo de proteção em períodos de tensão. “O ouro costuma ser visto como uma forma de proteção em momentos de incerteza e, historicamente, tende a se beneficiar de ambientes de juros mais baixos”, conforme observado nas informações apuradas.
Enquanto isso, operadores e gestores monitoram possíveis novos ajustes de margem e sinais da política monetária americana, fatores que devem determinar a intensidade e a duração da volatilidade nos próximos dias.