Pará prorroga para 2030 exigência de rastreamento de bois e búfalos com chips, atendendo ao setor produtivo
O governo do Pará decidiu adiar para o ano de 2030 a obrigatoriedade da implantação de chips e brincos de rastreamento em bois e búfalos. A medida, que visa garantir a produção de carne livre de desmatamento, deveria começar a valer em 1º de janeiro de 2026, mas foi estendida para atender a demandas do setor produtivo.
Esta decisão surge em um momento de grande atenção às questões ambientais, especialmente após a realização da COP 30 em Belém, que discutiu o enfrentamento da crise climática. O rastreamento é visto como uma ferramenta essencial para a transparência na cadeia produtiva da carne bovina.
A nova data estabelecida para a implementação completa do sistema é 2030. Conforme divulgado pelo g1, o governo estadual afirma ter ampliado o prazo para atender às necessidades dos produtores, com o decreto sendo assinado pelo governador Helder Barbalho durante um Encontro Ruralista organizado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa).
Rastreamento de gado: um passo a passo para carne sustentável
O programa de rastreamento de bois e búfalos no Pará exige a identificação individual de todos os animais movimentados dentro do estado. Isso inclui animais destinados ao abate, cria, recria, engorda, leilões ou exportação. O objetivo principal é assegurar que a carne produzida no Pará tenha sua origem rastreada desde o nascimento até o abate.
O sistema consiste na aplicação de chips e brincos nas orelhas dos animais, cada um com uma numeração única, similar a um CPF. Essa identificação permite verificar se os animais nasceram ou transitaram por fazendas com irregularidades ambientais ou que apresentem casos de trabalho análogo à escravidão, garantindo assim uma cadeia produtiva mais ética e sustentável.
Brasil e a pressão internacional por carne sem desmatamento
O Brasil, como um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, enfrenta crescentes pressões internacionais para comprovar que seus produtos, especialmente aqueles provenientes da Amazônia, não estão associados ao desmatamento ilegal. A região amazônica concentra o maior rebanho bovino do país, tornando o rastreamento uma ferramenta vital para a credibilidade do setor.
Em setembro de 2024, o Pará se destacou como o primeiro estado brasileiro a lançar uma política pública voltada ao rastreamento do gado. O primeiro boi a receber o brinco de identificação, batizado de “Pioneiro”, foi apresentado na cidade de Xinguara, no Pará, simbolizando o início dessa iniciativa inovadora.
Projetos-piloto e a busca por conformidade ambiental
A iniciativa de rastreamento no Pará já vinha sendo testada em projetos-piloto. No ano passado, o g1 acompanhou um desses projetos na cidade de Rio Maria, no Pará, em uma fazenda do pecuarista Roberto Paulinelli. Este projeto-piloto, iniciado em 2022, já demonstrava a viabilidade e os benefícios da identificação de bois com chips.
A extensão do prazo para 2030 demonstra um esforço do governo em alinhar as exigências com a capacidade de adaptação do setor produtivo, ao mesmo tempo em que reforça o compromisso com a produção de carne sustentável e livre de desmatamento, um tema de relevância global.