Paramount terá sete dias, até 23 de fevereiro, para tentar melhorar sua oferta pela Warner Bros, com a Netflix autorizando negociações temporárias e o conselho marcando a votação
Os executivos da Warner Bros. Discovery deram à Paramount Skydance um prazo de uma semana para apresentar sua melhor e final oferta pela Warner, em um movimento que pode influenciar a fusão já proposta com a Netflix.
Durante esse período, a Netflix concedeu uma isenção temporária que libera a Warner de algumas obrigações contratuais, permitindo que as duas empresas discutam os termos por sete dias.
As informações foram divulgadas pela Warner, e a decisão visa dar maior clareza aos acionistas antes da assembleia marcada para 20 de março, conforme informação divulgada pelo g1.
O prazo e a isenção temporária
A Netflix autorizou a Warner a negociar com a Paramount por meio de uma dispensa temporária, conhecida no mercado por permitir negociações controladas sem romper imediatamente o acordo com o terceiro interessado.
Segundo o comunicado da Warner, esse período vai até 23 de fevereiro, tempo que a companhia diz usar para que a Paramount apresente sua proposta final e para que os acionistas tenham mais elementos para avaliar as opções.
O que a Paramount ofereceu e o que foi citado ao conselho
Em conversas informais, um representante sênior da Paramount disse a um membro do conselho da Warner que, se autorizado a negociar, a empresa concordaria em pagar US$ 31 por ação, o que indica que a proposta ainda poderia ser ajustada.
A revisão anterior da Paramount trazia uma oferta de US$ 30 por ação em dinheiro, além da promessa de pagar uma taxa adicional de US$ 0,25 por ação a cada três meses caso a operação não seja concluída após dezembro de 2026, e o compromisso de arcar com a multa de US$ 2,8 bilhões que a Warner teria de pagar se rompesse o contrato com a Netflix.
Posição da Warner e citações do comunicado
A Warner informou que, no diálogo com a Paramount, quer esclarecer pontos não resolvidos e que a Netflix manterá o direito de igualar qualquer proposta concorrente.
No comunicado, a Warner diz, em trecho, “Durante esse período, a Warner se envolverá com a Paramount para discutir as deficiências que permanecem não resolvidas e esclarecer certos termos do acordo de fusão proposto”, evidenciando a intenção de detalhar pendências antes de qualquer decisão final.
O presidente e diretor da companhia, David Zaslav, afirmou, “Durante todo esse processo, nosso único foco tem sido maximizar valor e segurança para os acionistas da Warner Bros”, e acrescentou, “A cada etapa, fornecemos à Paramount Skydance orientação clara sobre as deficiências em suas ofertas e oportunidades para corrigi-las, Estamos nos envolvendo com a Paramount agora para determinar se eles podem apresentar uma proposta acionável e vinculante que ofereça valor e segurança superiores para os acionistas da Warner por meio de sua melhor e final oferta”.
O presidente do conselho, Samuel Di Piazza, reforçou a recomendação unânime do conselho da Warner a favor da fusão com a Netflix, “Continuamos a acreditar que a fusão com a Netflix está no melhor interesse dos acionistas da Warner devido ao enorme valor que proporciona, ao nosso caminho claro para obter aprovação regulatória e às proteções de transação para os acionistas contra riscos de queda”.
Di Piazza também afirmou, “Com a Netflix, criaremos um futuro mais promissor para a indústria do entretenimento, oferecendo aos consumidores mais opções, criando e protegendo empregos e expandindo a capacidade de produção nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que aumentamos os investimentos para impulsionar o crescimento de longo prazo do nosso setor”, destacando a visão do conselho sobre o acordo com a Netflix.
Próximos passos e impacto para acionistas
Com a janela de sete dias, a Paramount tem uma oportunidade limitada para transformar sua proposta em uma oferta considerada vinculante e competitiva pela Warner.
Se a Paramount apresentar uma proposta que a Warner considere superior, a Netflix manterá o direito de igualar a oferta, e os acionistas terão elementos adicionais para decidir na assembleia de 20 de março.
O desfecho poderá afetar diretamente o valor para os acionistas e o cenário de concentração na indústria do entretenimento, e, por ora, a Warner diz seguir focada em maximizar o valor e a segurança para seus acionistas.