Parlamento Europeu suspende acordo comercial UE-EUA e trava Turnberry após ameaças de Trump sobre a Groenlândia, risco de tarifas e retaliações
Suspensão da análise do acordo comercial UE-EUA, medida anunciada pelo presidente da Comissão de Comércio, e impacto imediato nas negociações e no comércio entre blocos
O Parlamento Europeu decidiu suspender a análise do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos, medida anunciada pelo presidente da Comissão de Comércio Internacional, Bernd Lange.
A decisão interrompe o avanço das propostas conhecidas como Turnberry, que visavam viabilizar negociações e reduzir tarifas sobre produtos industriais e agroalimentares americanos.
O movimento foi motivado por declarações do presidente Donald Trump sobre a Groenlândia, e pela ameaça de impor uma tarifa de 10% sobre produtos europeus, conforme informação divulgada pelo g1.
O que motivou a suspensão
Segundo Bernd Lange, o Parlamento vinha preparando sua posição sobre duas propostas legislativas ligadas ao Acordo de Turnberry, com o objetivo de iniciar negociações com o Conselho Europeu, porém o processo foi interrompido.
Lange afirmou que houve uma “quebra do acordo” após as declarações de Trump, e que, ao ouvir o discurso dele em Davos, não houve recuo, pois, nas palavras de Lange, “Ele quer que a Groenlândia faça parte dos EUA, quer sentar à mesa para discutir um preço. O único compromisso assumido foi o de não usar força militar sobre a Groenlândia.”
Por isso, “vamos manter o andamento de dois processos suspenso até que haja clareza sobre a Groenlândia e sobre essas ameaças”, acrescentou Lange, e avaliou que, enquanto esse cenário persistir, “não há possibilidade de compromisso”, conforme informação divulgada pelo g1.
O que previa o Acordo de Turnberry
O Acordo de Turnberry previa a suspensão de tarifas sobre todos os produtos industriais dos EUA exportados para a UE, além da criação de um sistema de cotas tarifárias para diversos produtos agroalimentares americanos.
O tratado, fechado em julho do ano passado, previa a aplicação de tarifas de 15% pelos EUA sobre a maior parte dos produtos europeus, enquanto a União Europeia se comprometeria a reduzir parte das taxas cobradas sobre importações americanas, segundo informações do g1.
Apesar do acerto político, o acordo ainda dependia do aval formal do Parlamento Europeu e dos governos nacionais, com previsão de início entre março e abril, e por ora a tramitação foi suspensa.
Risco de retaliações e reações europeias
Com a suspensão, o bloco europeu voltou a considerar a adoção de tarifas retaliatórias, que poderiam alcançar 93 bilhões de euros, além da possibilidade de limitar o acesso de empresas americanas ao mercado europeu, conforme divulgado pelo g1.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, criticou a estratégia americana e chamou o uso de tarifas como instrumento de pressão de “chantagem”, declarando apoio à suspensão do acordo comercial UE-EUA.
No Fórum Econômico Mundial, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que a soberania da Groenlândia não está em negociação, e alertou que a escalada de pressões tarifárias representa um erro estratégico para ambos os lados, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que a Groenlândia entrou na disputa
Nas últimas semanas, Trump intensificou iniciativas para anexar a Groenlândia por motivos estratégicos, incluindo rotas marítimas no Ártico e exploração de matérias-primas, e por razões de defesa relacionadas ao chamado Domo de Ouro.
Em publicação citada pelo g1, o presidente escreveu, “Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo”, e afirmou que a Otan deveria liderar o processo.
A escalada gerou reforço de segurança europeu na região, apoio conjunto de países como Dinamarca, Alemanha, França e Reino Unido, e protestos populares na Groenlândia e em Copenhague, conforme informação divulgada pelo g1.
Com a suspensão da análise do acordo comercial UE-EUA, a negociação entre blocos ficou em compasso de espera até que haja clareza sobre as intenções em relação à Groenlândia e a retirada das ameaças tarifárias.