PDVSA em xeque, EUA planejam ‘assumir’ petróleo venezuelano: como a ofensiva pode atrair Chevron, Exxon e bilhões para explorar 300 bilhões de barris

Com cerca de 17% das reservas mundiais, a estatal enfrenta sucateamento e queda de produção, e pode migrar para parcerias com petrolíferas americanas e capital privado

PDVSA voltou ao centro do debate sobre energia e geopolítica depois da ofensiva militar dos EUA e das declarações do presidente Donald Trump sobre o setor petrolífero venezuelano.

O cenário coloca em foco o destino de reservas estimadas em mais de 300 bilhões de barris, e a possibilidade de empresas americanas como Chevron e Exxon entrarem no país com grandes investimentos.

As primeiras reações de mercado e os riscos para a produção e para a geopolítica regional seguem em análise, conforme informação divulgada pelo g1.

O estado atual da PDVSA

A estatal continua operando apesar dos ataques, com produção e refino funcionando em linhas gerais, e danos relatados principalmente no porto de La Guaira, segundo informações da Reuters citadas pelo g1.

O principal problema da PDVSA é estrutural, e não apenas operacional de curto prazo. Como afirmou Welber Barral, sócio da BMJ Consultores Associados, “A PDVSA acabou sendo desmontada por falta de investimento. Hoje, exporta apenas um terço do volume registrado há 20 anos. É uma empresa sucateada por má administração, mas que ainda tem enorme potencial, porque detém grandes reservas”.

Durante as últimas décadas a empresa sofreu forte interferência política, casos de corrupção, perda de quadros técnicos e sanções que limitaram acesso a financiamento e tecnologia, o que levou a uma queda de produção superior a 70% desde o fim dos anos 1990.

O que os EUA propõem e o papel das petrolíferas americanas

Em coletiva, Trump disse que os EUA querem “consertar” a indústria, e declarou que “Nossas gigantescas companhias petrolíferas vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura e começar a gerar lucro para o país”.

Relatórios citados pelo g1, como o do UBS BB, indicam que a proposta de Washington passa por um modelo de transição em que os EUA “administrem” a Venezuela por um período, com produção liderada por empresas americanas.

O mercado reagiu de imediato, com ações de grandes petrolíferas americanas subindo, destaque para a Chevron, que “subiu 5,1% na segunda-feira”, segundo o g1, embora os ganhos tenham recuado depois quando se percebeu que mudanças levariam tempo, e os papéis chegaram a cair “mais de 4% na terça”.

Impactos no mercado global de petróleo

Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que, no curto prazo, os efeitos sobre preços internacionais devem ser limitados, pois a Venezuela produz em torno de “1 milhão de barris por dia”, bem abaixo de seu potencial histórico.

Para que a oferta suba de forma relevante seria necessário um processo longo de investimentos e reconstrução da infraestrutura, aliado a mudanças profundas na governança da PDVSA, o que pode levar anos; como observa Helder Queiroz, não há possibilidade de aumento rápido.

Mesmo assim, uma eventual recuperação tornaria o mercado mais competitivo, pressionando produtores como o Brasil e a Petrobras a acelerar projetos para preservar participação e receita.

Geopolítica, China e redesenho das alianças

Há também uma dimensão estratégica na ofensiva americana, já que a China é hoje o principal destino do petróleo venezuelano, comprando “em torno de 430 mil barris por dia”, e é credora do país por “cerca de US$ 12 bilhões”, segundo dados citados pelo g1.

Analistas veem na ação dos EUA uma tentativa de reduzir a influência de Pequim e Moscou sobre Caracas, e de reposicionar a Venezuela no tabuleiro regional, embora ainda não exista um plano claro e detalhado para o período pós-intervenção.

Em resumo, a PDVSA mantém operação, mas seu futuro depende de reformas estruturais, acordos com empresas estrangeiras e de decisões geopolíticas que definirão se as reservas venezuelanas serão exploradas sob parcerias, investimentos privados, ou outro modelo de transição, conforme informação divulgada pelo g1.