PDVSA em xeque, EUA querem ‘assumir’ petróleo venezuelano para Chevron e Exxon, como ficará a estatal, efeitos na produção e no mercado global de petróleo
Ofensiva dos EUA coloca a PDVSA no centro do tabuleiro geopolítico, Trump fala em “assumir” o setor e atrair gigantes como Chevron e Exxon, mas recuperação será lenta
A ofensiva que retirou Nicolás Maduro do poder colocou no foco o futuro da PDVSA e das reservas venezuelanas, enquanto mercados e governos avaliam riscos e oportunidades.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que pretende reestruturar a indústria petrolífera para abrir espaço a empresas americanas, prometendo investimento e recuperação da infraestrutura.
Conforme informação divulgada pelo g1
Estado atual da PDVSA
A PDVSA segue operando apesar da ofensiva, “as atividades de produção e refino continuam normalmente, sem danos às principais instalações, embora o porto de La Guaira tenha sido severamente afetado pelos ataques”, segundo informações da Reuters citadas pelo g1.
O problema principal é estrutural, não apenas operacional, porque, como lembra um especialista ouvido pelo g1, “A PDVSA acabou sendo desmontada por falta de investimento. Hoje, exporta apenas um terço do volume registrado há 20 anos. É uma empresa sucateada por má administração, mas que ainda tem enorme potencial, porque detém grandes reservas”.
A Venezuela concentra cerca de 17% das reservas comprovadas do planeta, um ativo estratégico, mas a produção caiu ao longo de décadas, afetada por interferência política, corrupção, perda de pessoal técnico e sanções que limitaram acesso a tecnologia e financiamento.
O que Trump pretende e o papel das petrolíferas americanas
Em coletiva, Trump afirmou que os EUA querem “consertar” a indústria, e disse, “Nossas gigantescas companhias petrolíferas vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura e começar a gerar lucro para o país”.
Analistas do UBS BB apontam que a ideia é que os EUA “administrem” a Venezuela durante uma transição, com produção liderada por empresas americanas, numa lógica de abertura ao capital privado, não de estatização.
A expectativa inicial impulsionou ações de companhias americanas, e entre os destaques está a Chevron, que tem operação ativa no país, com “a alta foi de 5,13% na segunda”, segundo dados citados pelo g1.
Especialistas ouvidos pelo g1 destacam que a presença de empresas americanas depende de segurança jurídica, acordos com a PDVSA e formatos de parceria que permitam investir na recuperação de campos e refinarias.
Efeitos no mercado de petróleo
Embora a Venezuela detenha reservas enormes, a produção atual está estabilizada em torno de 1 milhão de barris por dia, muito abaixo do potencial histórico, o que limita impacto imediato nos preços mundiais.
Analistas consultados pelo g1 afirmam que a mudança mais provável é gradual, porque aumentar a oferta exige anos de investimentos e reconstrução, e o mercado global já opera com expectativa de excesso de oferta e demanda mais fraca em 2026.
Como nota um especialista, “Não há possibilidade de aumento rápido. Um retorno ao patamar de 3 milhões de barris por dia não ocorreria em menos de cinco anos”.
Mesmo assim, uma eventual recuperação tornaria o mercado mais competitivo, pressionando outros produtores a acelerar projetos, e pode forçar empresas como a Petrobras a converter potencial em ritmo de exploração mais rápido.
Geopolítica, China e o redesenho estratégico
Na rota dos efeitos estratégicos, a China é hoje o principal destino do petróleo venezuelano, com compras em torno de 430 mil barris por dia, e é credora de cerca de US$ 12 bilhões em empréstimos garantidos por petróleo, segundo especialistas citados pelo g1.
Para Washington, reduzir a influência de Pequim e de Moscou na Venezuela é objetivo geoestratégico, o que pode levar outros países a reavaliar laços e dependências financeiras.
Analistas lembram, ainda, que a reação inicial dos mercados foi mais simbólica do que prática, refletindo leitura política, porque qualquer aumento consistente da oferta venezuelana demanda tempo e mudanças profundas na governança da PDVSA.
No cenário provável, a PDVSA pode deixar de atuar isoladamente e passar a operar com parceiros internacionais, o que, segundo economistas consultados pelo g1, pode representar um fortalecimento, desde que haja regras claras e segurança jurídica para investimentos.
O desfecho depende de decisões políticas, negociação internacional e capacidade de reconstrução técnica, portanto, o impacto da ofensiva dos EUA sobre a PDVSA e sobre o mercado global será sentido ao longo de anos, e não de semanas.