PDVSA sob pressão, EUA querem ‘assumir’ o petróleo venezuelano, Chevron em destaque, impacto no mercado global, China e prazo para recuperação da produção
Após operação que retirou Maduro, EUA falam em abrir setor para companhias americanas, PDVSA segue operando, mas enfrenta sucateamento e queda de produção histórica
A ofensiva dos Estados Unidos sobre a Venezuela colocou a PDVSA no centro de um debate internacional sobre petróleo, investimentos e geopolítica.
O destino das reservas venezuelanas, que chegam a representar 17% das reservas comprovadas do planeta, voltou a interessar governos e empresas, e movimentou ações de petroleiras americanas.
As informações trazidas nesta matéria são baseadas em apuração feita pelo g1, com dados e relatos de agências e analistas, conforme informação divulgada pelo g1.
O estado atual da PDVSA
A PDVSA permanece operando depois da ofensiva, com a produção e o refino funcionando normalmente, sem danos às principais instalações, embora o porto de La Guaira tenha sido severamente afetado pelos ataques, segundo informações da Reuters.
O problema principal da estatal é estrutural, e não apenas resultado das recentes ações militares, porque a empresa foi enfraquecida por anos de falta de investimento e interferência política.
Dados citados pelo g1 mostram que a Venezuela concentra cerca de 17% das reservas comprovadas do planeta, mais de 300 bilhões de barris, e que a produção caiu mais de 70% desde o fim dos anos 1990.
Na prática, a PDVSA conseguiu estabilizar a produção em torno de 1 milhão de barris por dia, apoio esse obtido em parte por licenças especiais a empresas estrangeiras, como a Chevron.
O que os EUA dizem querer fazer e o papel das petrolíferas americanas
Em entrevista, o presidente Donald Trump afirmou que pretende “assumir” o mercado petrolífero venezuelano e abrir espaço para que grandes companhias americanas invistam na recuperação da infraestrutura.
Na coletiva, Trump afirmou, “Nossas gigantescas companhias petrolíferas vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura e começar a gerar lucro para o país”, ao defender a participação direta do capital privado na reestruturação do setor.
Relatórios citados pelo g1, como o do UBS BB, indicam que a ideia defendida por Trump seria que os EUA “administrem” a Venezuela durante uma transição, com a produção liderada por empresas americanas, sem estatização do setor, segundo analistas.
A reação imediata do mercado elevou ações de empresas como a Chevron, que subiu 5,13% em um dia de alta, reflexo da leitura de que algumas companhias americanas podem sair favorecidas com mudanças políticas.
Impactos esperados no mercado global de petróleo
Analistas consultados pelo g1 avaliam que os efeitos sobre os preços do petróleo no curto prazo tendem a ser limitados, porque a produção venezuelana atual está bem abaixo do potencial histórico.
Para retomar volumes expressivos seria preciso um processo longo de investimentos e reconstrução, e mudanças profundas na governança da PDVSA, o que leva tempo.
Helder Queiroz, professor do Instituto de Economia da UFRJ, afirmou, “Não há possibilidade de aumento rápido. Um retorno ao patamar de 3 milhões de barris por dia não ocorreria em menos de cinco anos”, reforçando que a recuperação será gradual.
Mesmo assim, uma recuperação da produção venezuelana pode tornar o mercado mais competitivo e pressionar produtores regionais, como o Brasil e a Petrobras, a acelerar projetos.
Dimensão geopolítica, China e futuro das reservas
A China é hoje o principal destino do petróleo venezuelano, com compras estimadas em torno de 430 mil barris por dia, segundo especialistas citados pelo g1, e também credora de cerca de US$ 12 bilhões em empréstimos garantidos por petróleo.
Analistas interpretam a movimentação dos EUA como uma tentativa de reduzir a influência de Pequim e Moscou sobre a Venezuela, e de reconfigurar alianças regionais, embora ainda não exista uma estratégia americana clara para o país após a queda de Maduro, segundo especialistas ouvidos pelo g1.
No cenário mais provável, dizem analistas, a PDVSA deve deixar parte do isolamento atual e passar a operar em arranjos com empresas internacionais, o que pode fortalecer a exploração das reservas, porém de forma lenta e dependente de garantias jurídicas e estabilidade política.
Enquanto isso, mercados e governos monitoram a capacidade de atrair investimentos, a preservação de ativos estratégicos e o desenrolar das negociações entre Estados Unidos, China, empresas e a própria PDVSA.