Pé de galinha valoriza no Brasil, atrai China e mercado pet, e rende US$ 221 milhões em 2025 com aumento de preços e novas demandas

Como a procura da China por pés de frango e o crescimento do mercado pet pressionaram oferta e preço, e mudaram a cadeia produtiva do pé de galinha no Brasil

O pé de galinha deixou de ser sobra de açougue e frigorífico e virou item comercial de alto valor para exportação e indústria, com impacto nos preços ao consumidor e no atacado.

Em 2025, a venda do pé de galinha para a China rendeu US$ 221 milhões à indústria brasileira, e outros mercados, como a África do Sul, também ampliaram compras, pressionando a oferta.

O leitor vai encontrar detalhes sobre quanto o produto rende, como é consumido na China e na África do Sul, e por que a indústria pet também ampliou a demanda.

conforme informação divulgada pelo g1

Do resto de açougue ao mercado internacional

O salto do pé de galinha começou após a autorização chinesa para exportação de carne de frango em 2009, quando partes antes descartadas passaram a ter valor comercial. Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, explica que a abertura do mercado chinês mudou a dinâmica do setor.

Segundo o Ministério da Agricultura, só em 2025 a indústria brasileira faturou US$ 221 milhões com a venda do pé de galinha para a China, um aumento de 9,5% em relação a 2024.

Santin destaca ainda que, “A China é o mercado que melhor remunera o pé de galinha, pagando cerca de US$ 3 mil por tonelada“, e que a África do Sul, segundo maior comprador, “paga em média US$ 2 mil pela tonelada”.

Como a China consome o pé de galinha

No mercado chinês o pé de galinha é frequentemente consumido como snack, embalado, temperado e pronto para consumo, disponível em lojas de rua e em máquinas automáticas em estações de metrô e shoppings.

A chef Jiang Pu lembra que o produto era dado de graça no fim dos anos 1990, e conta que chegou a pagar R$ 14 pelo quilo em São Paulo, em preparos familiares. Ela afirma, “Eu acho engraçado que quando os meus pais vieram para o Brasil, em 1998, o pé de galinha era dado de graça no açougue. Tinha muita sobra, minha mãe pegava um monte“.

Jiang descreve o consumo como um ato de lazer, “Você come o pé de galinha chupando, roendo ele, então demora um pouquinho. É para quando está com vontade de mastigar alguma coisa“, e indica também o uso do pé para engrossar caldos, pela riqueza em colágeno.

A África do Sul e pratos populares com pé de galinha

A África do Sul é o segundo maior mercado para o pé de galinha brasileiro, e ampliou compras em 2025, “mais que quadriplicou as compras em 2025, na comparação com 2024, atingindo US$ 49 milhões”.

No país africano, o pé é protagonista de pratos como o “walkie-talkie”, feito com cabeça e pé de frango, e também aparece sob os nomes “runaway” ou “Maotwana”. Mariana Bahia, da Câmara de Comércio Brasil – África do Sul, diz que na região o pé é cozido e ensopado, lembrando ensopados brasileiros, e que a tradição é de aproveitamento integral do animal em contextos de restrição histórica de acesso a cortes nobres.

Pressão sobre preços e papel da indústria pet

No atacado, o preço médio do pé de galinha no estado chegou a R$ 5,75 em 2026, valor que é 41,3% superior à média registrada em 2020, segundo dados compilados por Fernando Iglesias, do Safras & Mercado.

Além das exportações, a valorização também é explicada pelo crescimento da indústria pet, que usa o pé de frango para produzir farinhas para ração. Como resume Santin, “O pé de galinha que não é exportado, é destinado principalmente à indústria pet“.

O resultado é um produto com múltiplos destinos, que vai do snack embalado nas ruas de cidades chinesas até ingrediente de pratos tradicionais africanos, enquanto no Brasil passa a ter preço valorizado tanto no varejo quanto no atacado.