Pedidos de falência de agricultores em 2025 disparam quase 50% com tarifaço de Trump, perdas de US$35-44 bi e pacote federal de US$ 11 bilhões
Em 2025, o tarifaço de Trump ampliou a pressão sobre produtores, com alta recorde nos pedidos de falência de agricultores, perdas bilionárias e cortes nas cadeias de exportação
O aumento nos pedidos de falência de agricultores nos Estados Unidos chegou perto de 50% em 2025, deixando produtores rurais em situação crítica e suscitando dúvidas sobre a recuperação do setor.
Produtores citam combinação de fatores, entre eles preços baixos de safra, custos maiores de mão de obra e insumos, e retaliações comerciais que reduziram mercados externos.
As pressões se mantiveram ao longo do ano, sem perspectivas claras de alívio, conforme informação divulgada pelo g1
Por que os agricultores estão endividados
Os agricultores enfrentam queda nos preços de produtos básicos e aumento dos custos para plantar e produzir. Fertilizantes e sementes ficaram mais caros, e despesas com mão de obra subiram, comprimindo margens.
Além disso, as exportações de itens como soja diminuíram no ano passado devido a disputas comerciais com outros países, já que com o tarifaço agricultores americanos tiveram que pagar a conta de retaliações por parte de outros países, especialmente da China.
As perdas agrícolas variam de US$35 bilhões a US$44 bilhões para as nove principais commodities, incluindo milho, soja, trigo e amendoim, disse Shawn Arita, diretor associado do Agricultural Risk Policy Center da North Dakota State University, em dezembro.
Para tentar aliviar parte do impacto, Para aliviar a situação dos agricultores, o governo norte-americano anunciou em dezembro um pacote de US$ 11 bilhões, destinado a ajudar na compra de sementes e fertilizantes para o próximo plantio.
Impacto no setor pecuário
Os pecuaristas também foram afetados pela combinação de seca, custo elevado de alimentação e restrição de oferta. A seca em estados do oeste reduziu pastagens e forçou o envio de mais animais ao abate.
O rebanho bovino dos EUA diminuiu para o seu menor tamanho desde 1951, informou o USDA. O rebanho de vacas vem caindo desde 2019, e a oferta ficou ainda mais restrita por medidas sanitárias.
Além disso, o fornecimento ficou ainda mais restrito porque os EUA suspenderam, desde maio, a maioria das importações de gado mexicano em meio a preocupações com a disseminação para o norte da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga carnívora que infesta o gado. Esses fatores elevam o risco de alta de preços e de rupturas pontuais no abastecimento.
Consequências para o mercado e para o consumidor
O aumento nos pedidos de falência de agricultores traz efeito direto sobre oferta e preços de alimentos, e pode pressionar ainda mais a inflação no setor de alimentos. Produtos como milho, soja e café tendem a ficar mais voláteis.
Para muitos produtores, o pacote federal anunciado em dezembro oferece alívio pontual, porém investidores e especialistas avaliam que medidas estruturais e resolução das tensões comerciais são essenciais para estabilizar o setor.
No curto prazo, consumidores podem sentir o impacto através de preços mais altos, e a cadeia produtiva pode passar por consolidações, com produtores menores mais expostos ao risco de fechamento.
O que vem pela frente
Analistas dizem que a recuperação depende de três vetores, redução das tensões comerciais, normalização dos mercados internacionais e políticas públicas consistentes no campo. Sem esses elementos, a pressão sobre produtores pode se estender além de 2025.
Enquanto isso, a alta nos pedidos de falência de agricultores segue como indicador do quanto as mudanças na política comercial e o aumento de custos podem reverberar na economia e na oferta de alimentos.