Pênis bovino: como frigoríficos transformam o vergalho em petisco para cães e em prato afrodisíaco na Ásia, rotas de exportação, preços e dados do Imac e Sul Beef

Frigoríficos vendem o pênis bovino desidratado para mercado asiático e setor pet, com preço médio de R$ 21 por quilo e exportações registradas na Agrostat

O interesse por pênis bovino cresceu entre frigoríficos e indústrias de petiscos, que transformam o órgão em produto desidratado para cães e em ingrediente procurado por parte do mercado asiático.

O órgão é processado, embalado e segue para destinos distintos, do comércio local até cidades de Hong Kong e demais mercados na Ásia, onde tem apelo culinário e cultural.

Os dados, preços e explicações sobre produção e destinos do vergalho constam em relatos e levantamento sobre o tema, conforme informação divulgada pelo g1

Como o produto é extraído e processado

A extração do pênis bovino é descrita como simples por especialistas do setor. Segundo a reportagem, o pênis do boi é interno e pode chegar até um metro de comprimento. Após a retirada, o vergalho é higienizado e tem suas membranas retiradas, e depois cada peça é embalada individualmente.

Para a venda, o pênis é desidratado, e com isso, “o peso cai de cerca de 500 gramas para 200 gramas por unidade”, informa a fonte consultada. Sobre o aproveitamento do animal, Marcos de Paula, especialista em exportação da Sul Beef, afirma, “Do boi a gente só não aproveita o berro. E se bobear, o patrão manda fazer um CD com ele”.

Quem produz e quantos vergalhos são gerados

Segundo a reportagem, “Todos os frigoríficos do Brasil comercializam o pênis bovino”, diz o especialista em exportação da Sul Beef. O Instituto Mato-grossense da Carne, Imac, informa que a produção acompanha o abate masculino, e que, por exemplo, “no 3° trimestre de 2025, o Brasil abateu mais de 5 milhões de bovinos machos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Portanto, produziu mais de 5 milhões de vergalhos.”

Para onde vai o vergalho e quanto rende

Atualmente não há estatísticas separadas apenas para pênis bovino nas exportações oficiais, porque o produto aparece em categorias gerais, como “miudezas comestíveis de bovinos frescas ou refrigeradas” ou em “preparações alimentícias” quando processado, de acordo com o Imac.

Na soma das miudezas exportadas, “Ao todo, o Brasil faturou US$ 231.752 com a venda de miudezas comestíveis de bovinos frescas ou refrigeradas para o exterior”, segundo a Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura que reúne dados de exportação. Em Hong Kong, o valor da tonelada do produto pode chegar a US$ 6 mil, segundo o Imac.

O frigorífico Sul Beef, do Mato Grosso, divulgou que “mais de 90% de suas vendas de vergalho vão para o mercado asiático”. O restante segue para o setor pet, com foco no Brasil, no Paraguai e nos Estados Unidos.

Mercado interno, preços e uso como petisco

O Imac informa que, “no mercado interno, o preço médio do quilo chega a R$ 21”. Em vendas ao consumidor final, o valor do vergalho pronto para consumo pet varia conforme o peso, e em pesquisa online realizada pelo g1 foram encontrados vergalhos de R$ 12 até R$ 80.

Para o setor pet, o diretor do Imac, Bruno de Jesus Andrade, apresenta o produto como um petisco natural e nutritivo para cães, e diz que houve crescimento dos cuidados com pets nos últimos anos, fator que aumentou a demanda por produtos como o vergalho industrializado.

Cultura, consumo e as promessas afrodisíacas

Na Ásia, partes do animal, incluindo o pênis bovino, são consumidas por crenças tradicionais sobre seus efeitos medicinais e afrodisíacos. A medicina tradicional chinesa, por exemplo, associa o consumo prolongado a benefícios como maior duração da ereção e aumento do desejo sexual, segundo a reportagem.

O chef Xiao Shan, citado pela reportagem, afirma que “comida preparada com pênis de animais aumenta a libido”. Ainda assim, o Imac observa que o público envelheceu e que jovens têm adotado hábitos alimentares diferentes, reduzindo a procura em alguns segmentos.

Em comparação com outros miúdos, De Paula destaca que o vergalho tem valor competitivo: segundo ele, o vergalho alcança preços superiores a outros miúdos vendidos para a China, como o omaso, cuja tonelada pode chegar a US$ 5,5 mil, e o bucho, por até US$ 4 mil.

O panorama mostra como o aproveitamento integral do animal, da crina aos órgãos, impulsiona negócios e mercados variados, do pet ao gastronômico, com impactos na cadeia do frigorífico e nas rotas de exportação.