quinta-feira, junho 4, 2026

Pênis bovino e vergalho: como frigoríficos lucram com petiscos para cães e com prato afrodisíaco exportado ao mercado asiático, dados e preços

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Venda do pênis bovino, chamado vergalho, gera renda para frigoríficos, abastece o mercado pet no Brasil e segue para a Ásia, onde é consumido por crenças sobre libido e ereção

Frigoríficos em todo o país processam e vendem o pênis bovino, conhecido na cadeia como vergalho, tanto para o mercado pet quanto para consumidores na Ásia interessados no produto como afrodisíaco.

O órgão é limpo, desidratado e embalado individualmente, o que reduz o peso médio de cerca de 500 gramas para 200 gramas por unidade, e permite comercialização nacional e internacional.

A reportagem compilou dados sobre produção, preços e destinos, e confirma usos culinários e industriais do boi além da carne, conforme informação divulgada pelo g1.

Como o vergalho é processado

A extração do pênis bovino é descrita como simples por especialistas do setor, o órgão é higienizado, tem suas membranas retiradas e é embalado peça a peça.

Para venda ao consumidor e ao mercado pet, o vergalho costuma ser desidratado, processo que reduz o peso, em média, de 500 gramas para 200 gramas por unidade, segundo informações do setor.

Marcos de Paula, especialista em exportação da Sul Beef, resume a aproveitamento integral do animal com humor, afirmando, “Do boi a gente só não aproveita o berro. E se bobear, o patrão manda fazer um CD com ele”, o que ilustra a lógica de aproveitamento de miúdos e subprodutos.

Mercado, exportações e destinos

Não há dados oficiais separados apenas para o vergalho nas estatísticas de exportação, porque o produto aparece agregado em categorias como “miudezas comestíveis de bovinos frescas ou refrigeradas” e, quando processado, em “preparações alimentícias”.

Ao todo, o Brasil faturou US$ 231.752 com a venda de miudezas comestíveis de bovinos frescas ou refrigeradas para o exterior, segundo a plataforma Agrostat do Ministério da Agricultura.

O Instituto Mato-grossense da Carne, Imac, informa que, por exemplo, em Hong Kong o valor da tonelada do produto pode chegar a US$ 6 mil, valor superior ao de outros miúdos como o omaso, até US$ 5,5 mil a tonelada, e o bucho, até US$ 4 mil.

O frigorífico Sul Beef, do Mato Grosso, divulgou que mais de 90% de suas vendas de vergalho vão para o mercado asiático, o restante atende ao setor pet no Brasil, no Paraguai e nos Estados Unidos.

Produção nacional e uso interno

Segundo Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Imac, o número de bois abatidos é o mesmo de vergalhos produzidos, e o exemplo citado é que, no 3° trimestre de 2025, o Brasil abateu mais de 5 milhões de bovinos machos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, portanto produziu mais de 5 milhões de vergalhos.

No mercado interno, o preço médio do quilo chega a R$ 21, e a oferta de produtos prontos para consumo pet varia: em pesquisa online foram encontrados vergalhos entre R$ 12 até R$ 80, dependendo do tamanho e da embalagem.

O diretor do Imac observa mudança de consumo entre gerações em mercados externos, e destaca que grande parte da produção hoje vai para petiscos para cachorros, em razão do crescimento dos cuidados com animais de estimação.

Tradição, crença e demanda

No mercado asiático, parte do apelo ao consumo humano vem de crenças associadas à medicina tradicional chinesa, onde se diz que o consumo prolonga o tempo da ereção e aumenta o desejo sexual.

Profissionais do setor gastronômico, citados em reportagens, afirmam que pratos preparados com pênis de animais são ligados ao aumento da libido, o que mantém demanda mesmo com mudanças de hábitos entre gerações.

Além do consumo humano, outros subprodutos do boi têm destinos variados: crina para pincéis, chifres para instrumentos e cuias, sangue e glândulas para a indústria farmacêutica, e miúdos como testículos e cérebro usados em culinárias tradicionais.

O caso do pênis bovino sintetiza como o setor tenta agregar valor a partes menos valorizadas da carcaça, transformando um subproduto em renda para frigoríficos, opções no mercado pet e em nichos gastronômicos internacionais.

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