Pênis bovino e vergalho: por que frigoríficos vendem o produto, destinos na China e no mercado pet, preços, exportações e dados de produção

Pênis bovino, conhecido como vergalho, segue da linha de abate para exportação e para petiscos, entenda como é processado, quem compra e quanto rende

O pênis bovino, chamado no mercado de vergalho, é parte aproveitada por frigoríficos em todo o Brasil e segue caminhos muito diferentes, do prato afrodisíaco na Ásia a petiscos industrializados para cães no mercado interno.

O processo de extração e desidratação é simples e padronizado, e o produto ganhou valor comercial por características culturais e por demanda no setor pet.

Todos esses detalhes e números constam em levantamentos e declarações recolhidas pela reportagem, conforme informação divulgada pelo g1.

Como o pênis bovino é produzido e processado

A extração do pênis bovino é descrita como simples por frigoríficos, porque, diferente do ser humano, o pênis do boi é interno e pode chegar até um metro de comprimento, segundo a explicação de Marcos de Paula, especialista em exportação da Sul Beef.

Após a retirada, o vergalho é higienizado e tem suas membranas retiradas, depois cada peça é embalada individualmente. Para a venda, o pênis é desidratado, com o peso caindo de cerca de 500 gramas para 200 gramas por unidade.

Sobre o aproveitamento do animal, Marcos de Paula resume com humor, “Do boi a gente só não aproveita o berro. E se bobear, o patrão manda fazer um CD com ele”, brinca de Paula.

Para onde vai o vergalho, entre China, Hong Kong e o mercado pet

O destino do vergalho é majoritariamente asiático, com frigoríficos relatando grande parte das vendas para a China e Hong Kong. O frigorífico Sul Beef, do Mato Grosso, divulgou que mais de 90% de suas vendas de vergalho vão para o mercado asiático, o restante abastece o setor pet no Brasil, no Paraguai e nos Estados Unidos.

O público consumidor na Ásia inclui clientes tradicionais, em especial entre a população idosa, mas a procura vem mudando com a ocidentalização dos hábitos de consumo, segundo análise do Instituto Mato-grossense da Carne, Imac.

Preços, faturamento e números da produção

Os dados oficiais não trazem uma linha específica só para o pênis bovino, porque ele aparece nas categorias de “miudezas comestíveis de bovinos frescas ou refrigeradas” e, quando processado, em “preparações alimentícias”.

Ao todo, o Brasil faturou US$ 231.752 com a venda de miudezas comestíveis de bovinos frescas ou refrigeradas para o exterior, segundo a Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura que reúne dados de exportação.

Em Hong Kong, o valor da tonelada do produto pode chegar a US$ 6 mil, segundo o Imac, número superior ao de outros miúdos cotados no mercado chinês, como o omaso e o bucho.

Em termos de produção, no 3° trimestre de 2025, o Brasil abateu mais de 5 milhões de bovinos machos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Portanto, produziu mais de 5 milhões de vergalhos, segundo cálculo do instituto.

No mercado interno, o preço médio do quilo chega a R$ 21, informa o Imac. Em pesquisas de oferta ao consumidor, o produto pronto para pet varia de R$ 12 até R$ 80, conforme peso e processamento.

Cultura, uso culinário e mercado pet

Na culinária, o pênis bovino aparece tanto em preparações tradicionais quanto em negócios especializados, como cadeias de restaurantes na China que usam o ingrediente alegando propriedades afrodisíacas.

Além do consumo humano, o principal destino de grande parte da produção brasileira hoje é o segmento de petiscos para cães. Sobre essa transformação de mercado, Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Imac, afirma que “Ele é um produto natural, rico em nutrientes para o animal e acabou sendo industrializado de uma maneira muito prática”.

O aproveitamento amplo do boi não se limita ao vergalho. Outras partes, como testículos e cérebro, vão para a culinária, enquanto crina das orelhas, chifres, sangue e glândulas são usados em segmentos que vão de pincéis e cuias a farmacêuticas e extintores.

O quadro mostra que o pênis bovino passou de um miúdo relativamente nichado a um produto com múltiplos mercados, entre tradições alimentares, comércio internacional e a crescente indústria de petiscos, com impactos econômicos e culturais para frigoríficos e exportadores brasileiros.