quinta-feira, junho 4, 2026

Perdas do BRB com operações ligadas ao Master podem chegar a R$ 5 bilhões, alerta diretor do BC em depoimento à Polícia Federal

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Perdas do BRB com exposição ao Master podem superar os R$ 5 bilhões, elevando a necessidade de provisões e pressão sobre o balanço da instituição

O Banco de Brasília, BRB, pode precisar reservar um volume de recursos bem maior que o previsto para cobrir operações feitas com o extinto Banco Master.

O cálculo foi apresentado em depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, à Polícia Federal, em um inquérito do Supremo Tribunal Federal que apura transações entre as duas instituições.

Os detalhes e valores citados pelo diretor ampliam a preocupação sobre a dimensão do ajuste contábil que o BRB terá de enfrentar, afetando resultado e capital, conforme informação divulgada pelo g1.

O que foi revelado no depoimento

No depoimento, Ailton Aquino afirmou que “Em virtude da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu buscar no Master, a gente também está ponderando que faltam mais, tem que ser feita provisão de mais R$ 2,2 bilhões”, segundo reportagem da Reuters.

Ele também disse que “A dimensão da provisão dentro do balanço do BRB será de elevada monta. Será de mais de R$ 4 bilhões. […] A probabilidade é que seja mais de R$ 5 bilhões de ajuste”, apontando para um impacto muito acima do montante inicialmente pedido pelo Banco Central.

Inicialmente, o BC havia indicado ao BRB a necessidade de uma reserva de aproximadamente R$ 2,6 bilhões para cobrir eventuais rombos nas operações com o Master, valor que agora pode ser quase dobrado, segundo o depoimento.

Contexto da liquidação do Master e investigações

O Banco Master foi alvo de liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de novembro, e no mesmo dia o dono do banco, o empresário Daniel Vorcaro, foi preso em uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraudes bilionárias.

Vorcaro foi posteriormente solto, mas segue cumprindo medidas cautelares. Em setembro, o BC havia rejeitado a compra do Master pelo BRB, depois de analisar a capacidade financeira do banco comprador para assumir o negócio.

Impacto para o BRB e implicações contábeis

Se confirmada, a necessidade de provisões na casa dos R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões pode pressionar indicadores de capital e gerar necessidade de ajustes adicionais no balanço do BRB.

O diretor de Fiscalização disse ainda que o BC vinha questionando o BRB desde março sobre operações, envolvendo supervisores, auditores e chefes de divisão, refletindo preocupação técnica contínua sobre o caso.

Reações e defesa

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que as carteiras de crédito tratadas com o BRB foram substituídas por outros ativos, todos registrados no balanço, auditados e precificados de acordo com metodologias formais, sob supervisão do BC.

Segundo os advogados, “o BRB aprovou a aquisição dos ativos dentro dos parâmetros técnicos e contábeis vigentes à época” e a defesa lamentou a divulgação de trechos de depoimentos fora de contexto, afirmando que colabora com as autoridades.

Procurados para comentar, o Banco Central e o BRB não responderam de imediato aos pedidos feitos pela reportagem, segundo a fonte citada anteriormente.

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