Pesquisa Quaest: 67% dizem não terem sido beneficiados pela isenção do IR até R$5 mil, 30% registram ganho e 47% notam impacto na renda familiar

Levantamento com 2.004 pessoas indica que 15% tiveram aumento significativo em janeiro, expectativa de acréscimo de R$312,89 e alcance estimado de 15 milhões

Três semanas após a nova regra começar a valer, parte das famílias percebeu variação na renda, enquanto outra parte ainda não sentiu alterações no orçamento.

Os dados mostram diferenças claras na distribuição dos benefícios, e levantam dúvidas sobre quem efetivamente ganha com a mudança e quem vai custear o ajuste.

O levantamento traz números sobre percepção imediata em janeiro, além de explicar os limites da medida e quem tende a pagar mais no futuro.

conforme informação divulgada pelo g1

Resultados da pesquisa, na íntegra

O levantamento encomendado pela Genial Investimentos ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 9 de fevereiro, a margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.

Veja os números exatos fornecidos pelo levantamento, conforme o material divulgado:

Essa isenção beneficiou você ou sua família diretamente ou não?
Beneficiou: 30%
Não beneficiou: 67%
Não sabe/não respondeu: 3%

Além disso, sobre o impacto na renda familiar, os entrevistados responderam:
Sim, a renda aumentou significativamente: 15%
Sim, a renda aumentou, mas não muito: 32%
Não sentiu diferença: 50%
Não sabe/não respondeu: 3%

O que muda com a isenção e quem é atingido

A regra que passou a valer em janeiro estabelece isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com ganhos de até R$ 5 mil mensais, o que corresponde a R$ 60 mil por ano. Antes da vigência, a expectativa era de aumento médio de R$ 312,89 na renda mensal dos beneficiados.

Também há desconto progressivo para quem ganha até R$ 7.350 mensais. Contribuintes que recebem acima dessa faixa continuam pagando a alíquota de 27,5%, sem mudanças no recolhimento regular.

Quem paga a conta, segundo especialistas

Segundo o economista Bruno Carazza, doutor em Direito Econômico pela UFMG, a medida deve beneficiar cerca de 15 milhões de contribuintes em todo o país.

O texto da lei prevê ainda uma cobrança para contribuintes de alta renda com ganhos acima de R$ 600 mil por ano, aplicada sobre o valor que exceder o limite. Por exemplo, conforme os exemplos divulgados:
Quem ganha R$ 600.001,00 paga cerca de R$ 0,10, com alíquota de 0,000017%
Com R$ 615 mil anuais, a alíquota chega a 0,25%, e o imposto mínimo será de R$ 1.537,50.

Carazza calcula que um grupo estimado entre 140 mil e 150 mil pessoas, ou seja, quem recebe mais de R$ 50 mil por mês, passará a arcar com parte do custo da medida que isenta os que ganham até R$ 5 mil.

Leitura das implicações e próximos passos

Os números da pesquisa mostram que a percepção imediata ainda é limitada, e que metade das famílias não identificou mudança no orçamento em janeiro.

Para quem sentiu ganho, a diferença varia entre aumentos significativos e pequenos acréscimos, o que indica distribuição desigual do benefício.

Nos próximos meses, a tendência é acompanhar a evolução das declarações de renda e o comportamento de consumo, para avaliar se a percepção apontada pela pesquisa se confirma a médio prazo.