Petroleiro Apreendido pelos EUA Perto da Venezuela ia para a China: O ‘VLCC Centuries’ e a Frota Fantasma

Segundo petroleiro apreendido pelos EUA perto da Venezuela ia para a China, diz agência

O governo dos Estados Unidos interceptou um segundo navio petroleiro próximo à Venezuela no último sábado, intensificando sua campanha de pressão contra o regime de Nicolás Maduro. A embarcação, identificada como VLCC Centuries, transportava aproximadamente 1,8 milhão de barris de petróleo cru venezuelano com destino à China.

Esta apreensão marca um novo capítulo na escalada de tensões entre os EUA e a Venezuela, seguindo a interceptação de um primeiro navio petroleiro em dezembro. A ação faz parte de uma ampla mobilização militar americana no Caribe, incluindo sobrevoos e operações contra embarcações.

A notícia foi divulgada pela agência de notícias Reuters, que teve acesso a dados de navegação e documentos internos da petroleira estatal venezuelana PDVSA. Conforme informação divulgada pelo g1, o VLCC Centuries integrava a chamada “frota fantasma” venezuelana, utilizando bandeiras estrangeiras e nomes falsos para ocultar suas atividades e evitar sanções internacionais.

A “Frota Fantasma” e a Tática de Ocultação

O navio apreendido, que operava sob bandeira do Panamá mas utilizava o nome falso “Crag”, é um exemplo claro das táticas empregadas pela Venezuela para contornar as sanções impostas pelos Estados Unidos. A “frota fantasma” é composta por petroleiros que usam diversos artifícios para disfarçar o transporte de petróleo venezuelano.

Essa estratégia não é exclusiva da Venezuela, sendo também utilizada por outros países sancionados, como Rússia e Irã. Segundo dados da organização Transparência Venezuela, cerca de 40% das embarcações que transportam petróleo bruto venezuelano operam em situação irregular, evidenciando a complexidade e os riscos envolvidos nessas operações.

O Percurso do Petroleiro e o Comprador Chinês

O VLCC Centuries deixou as águas venezuelanas na quarta-feira, após ser brevemente escoltado pela marinha venezuelana, segundo fontes da Reuters citadas pelo g1. A embarcação foi interceptada em águas internacionais a oeste da ilha de Barbados. Os documentos indicam que o petróleo foi adquirido pela Satau Tijana Oil Trading, uma intermediária que facilita as vendas da PDVSA para refinarias independentes na China.

A China é apontada como a principal compradora do petróleo bruto venezuelano, respondendo por cerca de 4% de suas importações. Em dezembro, os embarques venezuelanos para a China atingiram uma média superior a 600 mil barris por dia, segundo analistas consultados pela Reuters.

Reações e a Escalada de Tensão

Em resposta às ações americanas, o governo de Nicolás Maduro classificou a apreensão do segundo petroleiro como um “grave ato de pirataria internacional”, prometendo que tais atos “não passarão impunes”. O regime venezuelano também afirmou que o Irã ofereceu cooperação para enfrentar o que chamou de “pirataria e terrorismo internacional” dos EUA.

O presidente Donald Trump havia anunciado anteriormente um bloqueio total de petroleiros sancionados saindo da Venezuela, declarando o país “totalmente cercado militarmente”. O governo Maduro reagiu, chamando as falas de Trump de “ameaça grotesca” e “absolutamente irracional”, e reafirmou a continuidade das exportações de petróleo.

O Interesse Americano no Petróleo Venezuelano

A Venezuela possui a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com aproximadamente 303 bilhões de barris. Grande parte desse petróleo é extra-pesado, exigindo tecnologia e investimentos significativos para extração, o que tem sido dificultado pela infraestrutura precária e pelas sanções internacionais.

Os Estados Unidos têm um interesse particular no petróleo venezuelano, pois ele é adequado para suas refinarias, especialmente as localizadas na Costa do Golfo. As ações americanas visam, simultaneamente, beneficiar a economia dos EUA e pressionar o setor petrolífero venezuelano, vital para a sustentação do governo Maduro.

A imposição de sanções ao setor de energia da Venezuela em 2019 já levou comerciantes e refinarias a recorrerem a “frotas fantasmas” e embarcações sancionadas. A falta de capacidade de armazenamento de petróleo em Caracas já é uma consequência observada, em meio às medidas de Washington para impedir o tráfego de navios. O Conselho de Segurança da ONU se reunirá para discutir a crescente tensão entre os dois países.