Petroleiros em Greve Nacional: Petrobras Enfrenta Paralisação por Tempo Indeterminado Após Impasse em Acordo Coletivo
Petroleiros iniciam paralisação nacional de 24 horas, com possibilidade de extensão, após semanas de negociações infrutíferas com a Petrobras sobre o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A categoria busca avanços em pontos cruciais, como a solução para os déficits da Petros e a defesa do fortalecimento da estatal.
A **greve nacional dos petroleiros** começou nesta segunda-feira, marcando um novo capítulo no impasse entre a categoria e a Petrobras. Após a rejeição da segunda contraproposta apresentada pela empresa, os trabalhadores decidiram paralisar as atividades por tempo indeterminado. A decisão foi tomada após semanas de assembleias em todo o país.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgou um comunicado detalhando os principais pontos de discórdia. Segundo a FUP, a proposta da Petrobras não apresentou avanços significativos em três áreas consideradas essenciais pela categoria, gerando insatisfação e motivando a paralisação.
Conforme informação divulgada pelo g1, a greve teve início ainda na madrugada, com a entrega das operações de plataformas no Espírito Santo e no Norte Fluminense para equipes de contingência. No Terminal Aquaviário de Coari, no Amazonas, a adesão foi integral, de acordo com o sindicato. Pela manhã, trabalhadores de pelo menos seis refinarias, incluindo Regap (MG), Reduc (RJ), Replan (SP), Recap (SP), Revap (SP) e Repar (PR), também aderiram à paralisação, sem a troca de turno.
Principais Demandas dos Petroleiros Não Atendidas
A FUP destaca que a contraproposta da Petrobras falhou em oferecer uma **solução definitiva para os Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros**, o fundo de pensão dos empregados. Além disso, a categoria reivindica aprimoramentos no plano de cargos e salários e garantias contra mecanismos de ajuste fiscal, pontos que também não foram contemplados adequadamente pela empresa.
Outro ponto crucial para os petroleiros é a defesa de um modelo de negócios que esteja alinhado ao fortalecimento da Petrobras como estatal. A FUP enfatiza que a categoria busca **respeito, dignidade e uma justa distribuição da riqueza** gerada pela empresa. A greve visa garantir um ACT robusto, que recupere direitos perdidos e assegure condições de trabalho adequadas.
Vigília de Aposentados e Pensionistas no Rio de Janeiro
Antes mesmo do início da greve, aposentados e pensionistas já demonstravam sua insatisfação. Na quinta-feira anterior, eles retomaram uma **vigília em frente ao Edifício Senado**, sede da Petrobras no Rio de Janeiro. O ato cobrava uma solução efetiva para os déficits da Petros, evidenciando a preocupação de diferentes gerações ligadas à empresa.
Contexto de Mobilização e Críticas à Distribuição de Lucros
As mobilizações dos petroleiros ocorrem em um período de reuniões importantes em Brasília, envolvendo representantes da categoria, do governo e da Comissão Quadripartite. A FUP critica o alto volume de recursos destinados aos acionistas, apontando que, nos primeiros nove meses do ano, a Petrobras desembolsou **R$ 37,3 bilhões em dividendos**. Em contrapartida, a empresa ofereceu um ganho real de apenas 0,5% no ACT, além de retrocessos e diferenciações entre trabalhadores da holding e das subsidiárias, segundo o sindicato.
O g1 buscou contato com a Petrobras para obter um posicionamento sobre a greve e as reivindicações dos petroleiros. O espaço permanece aberto para manifestações da empresa.