Petróleo: Arábia Saudita minimiza impacto da crise na Venezuela e afirma que aumento da produção pelos EUA levará tempo e demandará investimentos, diz ministro

Em Davos, Mohammed Al-Jadaan afirmou, “Não acredito que veremos um impacto significativo no mercado de petróleo”, e disse que recuperação da produção venezuelana será lenta e cara

A Arábia Saudita relativizou nesta sexta-feira o efeito da nova situação política na Venezuela sobre o mercado global de petróleo, no encerramento do Fórum Econômico Mundial em Davos.

O ministro das Finanças saudita disse que um eventual aumento da produção venezuelana exigirá tempo e investimentos consideráveis, e que não espera choques imediatos nos preços.

As declarações foram feitas em um debate público, após mudanças no controle das vendas do petróleo venezuelano, conforme informação divulgada pelo g1

O que foi dito em Davos

Mohammed Al-Jadaan afirmou textualmente, “Não acredito que veremos um impacto significativo no mercado de petróleo”, e ressaltou que “Qualquer aumento na produção levará tempo e exigirá investimentos consideráveis”.

As falas ocorreram no debate de encerramento do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e refletem a visão saudita de que choques de oferta imediatos são improváveis.

Contexto da crise venezuelana e controle das vendas

Desde a captura e deposição de Maduro em 3 de janeiro, em uma operação militar em Caracas, os Estados Unidos controlam as vendas do petróleo venezuelano.

Apesar das intenções declaradas por Donald Trump de aumentar a produção venezuelana, as grandes empresas do setor permanecem cautelosas e evitam entrar com investimentos robustos na infraestrutura do país.

Reservas e produção, números que explicam a cautela

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, com produção de cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, à frente da Arábia Saudita, com 267,2 bilhões.

No entanto, décadas de corrupção e má gestão fizeram com que a produção despencasse “de um pico de mais de três milhões de barris por dia para os atuais 1,2 milhão de barris”, segundo autoridades venezuelanas.

De acordo com a Agência Internacional de Energia, a Venezuela “produziu uma média de 950 mil barris por dia em 2025, dos quais 780 mil foram exportados”.

Por que um aumento rápido é improvável

Especialistas e o próprio ministro apontam que restaurar campos, logística e refinarias demanda capital e tempo, portanto, mesmo com vontade política e controle das vendas, o efeito sobre o mercado de petróleo será gradual.

Além disso, a relutância de multinacionais em investir no país limita a velocidade com que a produção pode subir, mantendo a oferta global mais estável do que alguns mercados temiam.

Em resumo, enquanto a Venezuela tem reservas vastas, transformar esse potencial em barris comercializáveis requer investimentos e prazo, e, por enquanto, a Arábia Saudita não vê um impacto significativo no mercado de petróleo.