Ministro Mohammed Al-Jadaan afirmou em Davos que “Não acredito que veremos um impacto significativo no mercado de petróleo”, e que qualquer aumento da produção venezuelana será lento e custoso
Em Davos, na Suíça, o ministro das Finanças da Arábia Saudita, Mohammed Al-Jadaan, disse que não espera um efeito relevante no mercado de petróleo provocado pela nova situação na Venezuela.
Al-Jadaan ressaltou que “Qualquer aumento na produção levará tempo e exigirá investimentos consideráveis” e que as mudanças não se refletirão de imediato nos preços globais.
Desde a captura e deposição de Maduro em 3 de janeiro, em uma operação militar em Caracas, os Estados Unidos controlam as vendas do petróleo venezuelano, mas empresas seguem cautelosas quanto a investimentos no país, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que Riad minimiza o risco
A leitura saudita é que choques pontuais na oferta não necessariamente provocam impacto duradouro nos preços, porque elevar a produção exige tempo e capital.
No debate de encerramento do Fórum Econômico Mundial em Davos, Al-Jadaan afirmou claramente, “Não acredito que veremos um impacto significativo no mercado de petróleo”.
Barreiras para aumento rápido da produção venezuelana
Apesar das ambições dos Estados Unidos, multinacionais do setor evitam grandes aportes em infraestrutura na Venezuela, por riscos políticos e legais.
Apesar das ambições de Donald Trump em relação ao petróleo venezuelano, as empresas multinacionais do setor permanecem cautelosas e evitam fazer grandes investimentos na infraestrutura do país.
Especialistas lembram que recuperar capacidades de extração e refino exige reformas, contratos seguros e décadas de investimentos.
Reservas e produção, a distância entre potencial e realidade
“A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, com produção de cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), à frente da Arábia Saudita (267,2 bilhões) e do Irã.”
No entanto, décadas de corrupção e má gestão fizeram com que a produção despencasse de um pico de mais de três milhões de barris por dia para os atuais 1,2 milhão de barris, segundo as autoridades venezuelanas.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), a Venezuela produziu uma média de 950 mil barris por dia em 2025, dos quais 780 mil foram exportados.
O que muda para o mercado global
Mesmo com controle temporário das vendas pelos EUA, a expectativa é de impacto contido nos preços, salvo ocorrência de novos choques em outros grandes produtores.
Em suma, Riad aposta que a volta do volume venezuelano ao mercado será gradual, e que o efeito imediato sobre o preço do petróleo tende a ser limitado, por causa dos prazos e dos custos necessários para restabelecer a produção.