Alta do petróleo pressiona preços globais, com Brent saltando perto de US$ 80, receio de fechamento do Estreito de Ormuz e projeções de barril entre US$ 90 e US$ 100
O mercado internacional de petróleo registrou uma alta expressiva neste fim de semana, em reação direta aos ataques aos ativos do Irã e ao temor de escalada na região do Golfo Pérsico.
O barril referencial Brent avançou, segundo operadores do setor, cerca de 10%, alcançando aproximadamente US$ 80 por barril no mercado de balcão, em movimento que reflete receios sobre o trânsito de navios no Estreito de Ormuz.
Analistas passaram a projetar que o preço pode alcançar US$ 100 por barril se houver interrupção prolongada na rota, além de estimativas que colocam o patamar entre US$ 90 e US$ 100 no curto prazo, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que a alta acelerou
O impacto imediato foi provocado pela combinação entre ataques militares e alertas de autoridades iranianas às embarcações sobre a travessia do Estreito de Ormuz. Mais de 20% do petróleo consumido mundialmente passa por essa rota, e o risco de um bloqueio opera como gatilho para uma subida repentina dos preços.
Como disse Ajay Parmar, diretor de energia e refino da ICIS, traduzido para o português, “Embora os ataques militares sejam, por si só, favoráveis aos preços do petróleo, o fator-chave aqui é o fechamento do Estreito de Ormuz”.
Respostas do mercado e das produtoras
Em reação, a maioria dos armadores de petroleiros, grandes companhias e trading houses interrompeu o transporte de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito pelo estreito, segundo fontes do mercado.
O grupo Opep+ decidiu elevar a produção em 206.000 barris por dia a partir de abril, um volume que representa menos de 0,2% da demanda global, deslocamento considerado insuficiente para compensar uma eventual perda de oferta causada por um bloqueio do estreito.
Estimativas de impacto na oferta e no preço
O economista de energia Jorge Leon, da Rystad, calculou que um fechamento do Estreito de Ormuz poderia retirar entre 8 milhões e 10 milhões de barris por dia da oferta global, mesmo levando em conta desvios por oleodutos alternativos.
A Rystad também projetou que, na reabertura do mercado, os preços possam subir cerca de US$ 20, chegando perto de US$ 92 por barril, cenário que já alimenta expectativas mais altas entre traders e refinarias.
Alternativas e panorama regional
Governos e refinarias na Ásia começaram a revisar estoques e buscar rotas e fornecedores alternativos. Em um webinar, analistas da Kpler apontaram que a Índia pode recorrer ao petróleo russo para suprir eventual redução de fornecimento do Oriente Médio.
A analista Helima Croft, do RBC, afirmou que líderes do Oriente Médio alertaram Washington de que uma guerra contra o Irã pode levar o barril a superar US$ 100, enquanto o Rabobank projeta preços acima de US$ 90 no curto prazo, uma visão menos altista, mas ainda de alta significativa.
No curto prazo, a evolução dos preços vai depender da duração das tensões, do comportamento dos armadores e da capacidade de rotas alternativas compensarem o fluxo, em um mercado já sensível a qualquer risco geopolítico na região do Golfo.