Petróleo sobe 10% após ataques ao Irã e risco de bloqueio no Estreito de Ormuz, preço do petróleo pode chegar a US$ 100, Brent avança a cerca de US$ 80
Com o temor de fechamento do Estreito de Ormuz, o preço do petróleo avança nos mercados, e projeções colocam o barril entre US$ 90 e US$ 100, com efeitos imediatos na oferta e nos estoques
O mercado registrou uma reação rápida às operações militares e às mensagens emitidas por autoridades no Golfo Pérsico, com forte alta no preço do petróleo e aumento da aversão ao risco entre armadores e traders.
Operadores indicaram que o maior receio é a interrupção das rotas pelo Estreito de Ormuz, por onde passa uma fatia relevante do petróleo global, elevando a pressão sobre preços e custos de frete.
Os movimentos do fim de semana sugerem que a volatilidade deve persistir até que haja definição sobre segurança das rotas e respostas políticas, conforme informação divulgada pelo g1
Movimento do mercado e números imediatos
O petróleo do tipo Brent, referência internacional, avançou 10% neste domingo no mercado de balcão, alcançando cerca de US$ 80 por barril, segundo operadores do setor.
Na sexta-feira, o Brent já havia fechado a US$ 73 por barril, o maior nível desde julho, e a sequência de alta reflete o temor de maiores interrupções no fornecimento.
Por que a alta é puxada pelo Estreito de Ormuz
Analistas apontam que, embora os ataques militares aumentem a tensão, o fator determinante é o risco de bloqueio do Estreito de Ormuz, rota pela qual passa mais de 20% do petróleo consumido globalmente.
Como destacou Ajay Parmar, diretor de energia e refino da ICIS, “Embora os ataques militares sejam, por si só, favoráveis aos preços do petróleo, o fator-chave aqui é o fechamento do Estreito de Ormuz”.
Parmar acrescentou, “Esperamos que os preços abram (após o fim de semana) muito mais próximos de US$100 por barril e talvez excedam esse nível se houver uma interrupção prolongada no Estreito”.
Oferta, respostas de países produtores e alternativas
No domingo, a Opep+ decidiu elevar a produção em 206.000 barris por dia (bpd) a partir de abril, acréscimo que representa menos de 0,2% da demanda global, insuficiente para contrabalançar um bloqueio prolongado da passagem.
Fontes do mercado informaram que a maioria dos armadores e grandes companhias suspendeu o transporte de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito pelo Estreito após alertas de Teerã às embarcações.
O economista de energia Jorge Leon, da Rystad, estimou que um fechamento do Estreito de Ormuz retiraria entre 8 milhões e 10 milhões de bpd da oferta global, e que, na reabertura do mercado, os preços possam subir US$ 20, alcançando cerca de US$ 92 por barril.
Projeções e impactos regionais
A analista Helima Croft, do RBC, afirmou que líderes do Oriente Médio alertaram Washington de que uma guerra contra o Irã pode levar o barril a superar US$ 100. O Rabobank, em visão menos intensa, projeta preços acima de US$ 90 por barril no curto prazo.
Governos e refinarias da Ásia já revisam estoques e buscam rotas alternativas e fornecedores, com países como a Índia avaliando compras de petróleo russo para compensar eventuais cortes do Oriente Médio.
No cenário mais adverso, a combinação de interrupção no Estreito, menor elasticidade de oferta e estoques apertados pode pressionar por um período prolongado o preço do petróleo, afetando combustíveis e inflação nos mercados importadores.
As próximas sessões do mercado e possíveis declarações de governos e armadores serão decisivas para calibrar projeções, e o movimento de preços seguirá sensível a qualquer sinal de normalização do tráfego pelo Estreito de Ormuz, conforme informação divulgada pelo g1