Alta do petróleo é impulsionada pela possível exclusão das vendas iranianas do mercado, ataques a petroleiros no Mar Negro e medidas comerciais dos EUA que podem reduzir suprimento
Os preços do petróleo registraram forte alta nesta terça-feira, em um movimento marcado por preocupações sobre interrupções na oferta e por eventos geopolíticos que apertam os prêmios de risco.
Investidores reagiram a sinais de que o fluxo de barris pode ficar mais restrito, mesmo diante de anúncios de aumento de oferta por parte de alguns produtores, elevando a volatilidade no curto prazo.
O avanço dos contratos foi acompanhado por relatos de ataques a petroleiros e por declarações de líderes e analistas que mudaram a percepção sobre o equilíbrio entre oferta e demanda, conforme informação divulgada pelo g1
Movimento dos preços no fechamento
Os contratos futuros do Brent, referência internacional, saltaram US$ 1,60 (+2,5%), para fechar a US$ 65,47 (R$ 351,99).
Já o petróleo West Texas Intermediate, o WTI dos Estados Unidos, fechou a US$ 61,15 (R$ 328,77) por barril, com alta de US$ 1,65 (+2,8%).
Esses números mostram alta superior a 2% em ambos os referenciais, em resposta a riscos de oferta mais do que a mudanças imediatas na demanda.
Fatores geopolíticos que pressionam a oferta
Analistas apontam que a possibilidade de interrupção nas exportações do Irã tem sido o principal motor da alta. John Evans, analista da PVM Oil Associates, afirmou, “O mercado de petróleo está criando alguma proteção de preço contra fatores geopolíticos”.
O Irã enfrenta profundas manifestações internas. A repressão do governo contra os manifestantes, que, segundo uma autoridade iraniana, já matou cerca de 2.000 pessoas e levou à prisão de milhares de outras, elevou o risco de maior instabilidade regional.
Na esfera diplomática e comercial, houve advertências dos Estados Unidos. Trump disse que “qualquer país que fizer negócios com o Irã estará sujeito a uma tarifa de 25% sobre qualquer negócio realizado com os Estados Unidos”.
O temor de corte total ou parcial das vendas iranianas ao mercado é calculado por analistas como um fator capaz de reduzir oferta, com Bob Yawger, da Mizuho Securities em Nova York, dizendo, “Não acho que a China, por exemplo, vá se afastar dos barris iranianos, mas se o fizesse, e se todos o fizessem, isso reduziria os suprimentos globais em 3,3 milhões de barris por dia que atualmente são fornecidos ao mercado pelo Irã”.
Incidentes com navios e risco logístico
Além das tensões políticas, incidentes recentes também pressionaram o mercado. Quatro petroleiros gerenciados pela Grécia foram atingidos por drones não identificados nesta terça-feira.
Os petroleiros estavam no Mar Negro a caminho do carregamento de petróleo no terminal do Caspian Pipeline Consortium, na costa russa, disseram oito fontes à Reuters, aumentando preocupações sobre a segurança do transporte marítimo e possíveis gargalos na logística.
O que observar adiante
O mercado deve continuar sensível a anúncios sobre sanções, movimentos diplomáticos e novos incidentes em rotas de embarque, e também a sinais de que grandes compradores mantenham suas compras de petróleo iraniano.
Para os próximos dias, os investidores vão acompanhar declarações oficiais, dados de estoques e relatórios sobre logística, porque qualquer sinal de redução persistente na oferta pode manter o petróleo em patamares mais altos.
Analistas e operadores, citados na cobertura, ressaltam que fatores geopolíticos e logísticos estão criando uma margem de proteção de preço, mesmo enquanto a demanda segue monitorada por indicadores macroeconômicos.