quinta-feira, junho 4, 2026

Petróleo sobe mais de US$ 1 por barril com risco de corte nas exportações do Irã, Brent e WTI avançam, ataques a navios elevam prêmio de risco global

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Alta do petróleo é impulsionada pela possível exclusão das vendas iranianas do mercado, ataques a petroleiros no Mar Negro e medidas comerciais dos EUA que podem reduzir suprimento

Os preços do petróleo registraram forte alta nesta terça-feira, em um movimento marcado por preocupações sobre interrupções na oferta e por eventos geopolíticos que apertam os prêmios de risco.

Investidores reagiram a sinais de que o fluxo de barris pode ficar mais restrito, mesmo diante de anúncios de aumento de oferta por parte de alguns produtores, elevando a volatilidade no curto prazo.

O avanço dos contratos foi acompanhado por relatos de ataques a petroleiros e por declarações de líderes e analistas que mudaram a percepção sobre o equilíbrio entre oferta e demanda, conforme informação divulgada pelo g1

Movimento dos preços no fechamento

Os contratos futuros do Brent, referência internacional, saltaram US$ 1,60 (+2,5%), para fechar a US$ 65,47 (R$ 351,99).

Já o petróleo West Texas Intermediate, o WTI dos Estados Unidos, fechou a US$ 61,15 (R$ 328,77) por barril, com alta de US$ 1,65 (+2,8%).

Esses números mostram alta superior a 2% em ambos os referenciais, em resposta a riscos de oferta mais do que a mudanças imediatas na demanda.

Fatores geopolíticos que pressionam a oferta

Analistas apontam que a possibilidade de interrupção nas exportações do Irã tem sido o principal motor da alta. John Evans, analista da PVM Oil Associates, afirmou, “O mercado de petróleo está criando alguma proteção de preço contra fatores geopolíticos”.

O Irã enfrenta profundas manifestações internas. A repressão do governo contra os manifestantes, que, segundo uma autoridade iraniana, já matou cerca de 2.000 pessoas e levou à prisão de milhares de outras, elevou o risco de maior instabilidade regional.

Na esfera diplomática e comercial, houve advertências dos Estados Unidos. Trump disse que “qualquer país que fizer negócios com o Irã estará sujeito a uma tarifa de 25% sobre qualquer negócio realizado com os Estados Unidos”.

O temor de corte total ou parcial das vendas iranianas ao mercado é calculado por analistas como um fator capaz de reduzir oferta, com Bob Yawger, da Mizuho Securities em Nova York, dizendo, “Não acho que a China, por exemplo, vá se afastar dos barris iranianos, mas se o fizesse, e se todos o fizessem, isso reduziria os suprimentos globais em 3,3 milhões de barris por dia que atualmente são fornecidos ao mercado pelo Irã”.

Incidentes com navios e risco logístico

Além das tensões políticas, incidentes recentes também pressionaram o mercado. Quatro petroleiros gerenciados pela Grécia foram atingidos por drones não identificados nesta terça-feira.

Os petroleiros estavam no Mar Negro a caminho do carregamento de petróleo no terminal do Caspian Pipeline Consortium, na costa russa, disseram oito fontes à Reuters, aumentando preocupações sobre a segurança do transporte marítimo e possíveis gargalos na logística.

O que observar adiante

O mercado deve continuar sensível a anúncios sobre sanções, movimentos diplomáticos e novos incidentes em rotas de embarque, e também a sinais de que grandes compradores mantenham suas compras de petróleo iraniano.

Para os próximos dias, os investidores vão acompanhar declarações oficiais, dados de estoques e relatórios sobre logística, porque qualquer sinal de redução persistente na oferta pode manter o petróleo em patamares mais altos.

Analistas e operadores, citados na cobertura, ressaltam que fatores geopolíticos e logísticos estão criando uma margem de proteção de preço, mesmo enquanto a demanda segue monitorada por indicadores macroeconômicos.

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