Alta do petróleo acontece com Brent a US$ 65,47 e WTI a US$ 61,15, enquanto protestos no Irã, ameaça de tarifas dos EUA e ataques a petroleiros elevam risco de menor oferta global
Os preços do petróleo subiram mais de 2% nesta terça-feira, em reação a sinais de tensão que podem reduzir a oferta global e ofuscar expectativas de aumento de produção de outros países.
Os contratos futuros do Brent avançaram US$ 1,60, para fechar em US$ 65,47, e o WTI dos Estados Unidos subiu US$ 1,65, para US$ 61,15 por barril, com ganhos de 2,5% e 2,8%, respectivamente.
A alta refletiu preocupações com as manifestações no Irã, medidas anunciadas pelos EUA, além de incidentes com petroleiros no Mar Negro, fatores que podem apertar a oferta de petróleo.
conforme informação divulgada pelo g1
Movimentos de preço e dados do mercado
O salto nos preços foi sentido tanto no contrato de referência global, o Brent, quanto no WTI, referência norte-americana. O avanço ocorreu mesmo com sinais pontuais de oferta adicional de outros produtores.
Em reais, a cotação equivalente foi citada como R$ 351,99 para o Brent e R$ 328,77 para o WTI, mostrando impacto direto na conversão das bolsas internacionais para o mercado brasileiro.
Riscos geopolíticos que pressionam a oferta
O Irã enfrenta neste período as maiores manifestações contra o governo em anos, e a repressão resultou em estimativas de violência significativa, com cerca de 2.000 mortes e milhares de prisões, segundo autoridades citadas.
Em meio a isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu que qualquer país que fizer negócios com o Irã estará sujeito a uma tarifa de 25% sobre transações com os Estados Unidos, medida que coloca em risco o fluxo comercial do petróleo iraniano.
Analistas destacam que a retirada de compradores como a China dos barris iranianos teria efeito relevante sobre a oferta, com o risco de cortar até 3,3 milhões de barris por dia que o Irã fornece atualmente ao mercado, segundo declaração de Bob Yawger, da Mizuho Securities, traduzida para o português.
Outro fator de risco citado no pregão foram ataques a navios, com quatro petroleiros gerenciados pela Grécia atingidos por drones no Mar Negro, enquanto seguiam para carregar petróleo no terminal do Caspian Pipeline Consortium, na costa russa, conforme fontes consultadas pela Reuters.
Declarações de analistas e políticos
John Evans, analista da PVM Oil Associates, afirmou que “o mercado de petróleo está criando alguma proteção de preço contra fatores geopolíticos”, traduzindo o entendimento de que os investidores já precificam risco adicional.
Na véspera, Trump também publicou que os manifestantes no Irã deveriam “assumir suas instituições” e que “a ajuda está a caminho”, declarações que contribuíram para um pico breve acima de 3% nos preços, atingindo máxima de três meses.
O que muda para o mercado e para o Brasil
Se a saída de compradores internacionais dos barris iranianos se concretizar ou se ataques e sanções se intensificarem, haverá pressão por preços mais altos no curto prazo, com impactos potenciais nos custos de combustíveis e na inflação global.
No Brasil, variações nas cotações internacionais do petróleo podem influenciar preços de combustíveis e decisões de política pública sobre reservas e importações, além de afetar empresas do setor de óleo e gás listadas localmente.
O cenário segue sujeito a desdobramentos políticos, negociações internacionais e novos incidentes em rotas de transporte, fatores que manterão o petróleo sensível a notícias e riscos geopolíticos.