Petróleo Venezuela, Arábia Saudita diz que nova situação em Caracas não deve provocar um impacto significativo no mercado global, aumento da produção será gradual
O ministro das Finanças da Arábia Saudita, Mohammed Al-Jadaan, disse em Davos que não acredita em um choque imediato nos preços do petróleo por causa da mudança recente na Venezuela.
Al-Jadaan afirmou que qualquer esforço para ampliar a produção venezuelana enfrentará barreiras técnicas e financeiras, e que será preciso tempo e investimento para recuperar a capacidade de extração.
As observações ocorreram no debate de encerramento do Fórum Econômico Mundial, em Davos, e ajudam a explicar a avaliação saudita sobre o futuro do mercado, conforme informação divulgada pelo g1.
O que disse a Arábia Saudita
No debate em Davos, Mohammed Al-Jadaan declarou, palavra por palavra, “Não acredito que veremos um impacto significativo no mercado de petróleo”. Ele acrescentou que “Qualquer aumento na produção levará tempo e exigirá investimentos consideráveis”.
A fala do ministro foi interpretada como um sinal de tranquilidade vindo de um dos maiores exportadores, apesar da turbulência política em Caracas e da intenção dos Estados Unidos de ampliar o aproveitamento do petróleo venezuelano.
Contexto e limites práticos para aumentar a oferta
Desde a captura e deposição de Maduro em 3 de janeiro, em uma operação militar em Caracas, os Estados Unidos controlam as vendas do petróleo venezuelano, segundo a reportagem.
Apesar das ambições do governo americano, empresas multinacionais do setor têm se mantido cautelosas, e evitam grandes investimentos na infraestrutura do país, o que limita um aumento rápido da produção.
Números e dados que ajudam a entender a avaliação
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, com produção de cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, à frente da Arábia Saudita (267,2 bilhões) e do Irã.
No entanto, décadas de corrupção e má gestão fizeram com que a produção despencasse de um pico de mais de três milhões de barris por dia para os atuais 1,2 milhão de barris, segundo as autoridades venezuelanas.
De acordo com a Agência Internacional de Energia, a Venezuela produziu uma média de 950 mil barris por dia em 2025, dos quais 780 mil foram exportados, números que ilustram a distância entre reservas e capacidade atual de produção.
O que muda para o mercado
Para analistas, a declaração saudita reforça que eventuais aumentos na oferta venezuelana tendem a ser graduais, e que o mercado global continuará sensível a fatores como investimentos, logística e decisões políticas.
Em resumo, a posição da Arábia Saudita indica que, mesmo com a nova gestão do petróleo venezuelano, o efeito sobre preços e oferta não será imediato, e dependerá de investimentos robustos e do tempo necessário para recuperar produção, conforme informação divulgada pelo g1.