Petróleo venezuelano: Arábia Saudita minimiza efeitos da crise em Caracas e diz que aumento de oferta pelos EUA levará tempo e exigirá investimentos

Em Davos, Mohammed Al-Jadaan afirmou que o petróleo venezuelano não deve provocar impacto significativo no mercado, e que qualquer aumento na produção exigirá tempo e recursos

A Arábia Saudita disse, em tom de cautela, que a nova situação política na Venezuela não deve alterar de forma expressiva o equilíbrio do mercado global de petróleo.

O ministro das Finanças saudita ressaltou que, mesmo com intenção dos Estados Unidos de aumentar a produção venezuelana, serão necessários investimentos e tempo para que a oferta efetivamente cresça.

As declarações ocorreram no encerramento do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, conforme informação divulgada pelo g1

O que foi dito em Davos

No debate final do fórum, o ministro Mohammed Al-Jadaan afirmou, “Não acredito que veremos um impacto significativo no mercado de petróleo”, e acrescentou que “Qualquer aumento na produção levará tempo e exigirá investimentos consideráveis”.

A fala de Al-Jadaan foi uma tentativa de reduzir preocupações sobre possíveis choques de oferta, mesmo com os recentes acontecimentos em Caracas e a intenção declarada dos Estados Unidos de controlar e aumentar as vendas do petróleo venezuelano.

Capacidade e produção da Venezuela

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, com produção de cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, à frente da Arábia Saudita, com 267,2 bilhões.

No entanto, décadas de corrupção e má gestão fizeram a produção cair de um pico de mais de três milhões de barris por dia para níveis bem inferiores, com autoridades venezuelanas citando cerca de 1,2 milhão de barris atualmente.

A Agência Internacional de Energia registrou que a Venezuela produziu em média 950 mil barris por dia em 2025, dos quais 780 mil foram exportados, números que mostram a lacuna entre reservas e produção real.

Por que ampliar a oferta será difícil

Especialistas e autoridades destacam que recuperar e aumentar a produção do petróleo venezuelano depende de investimentos maciços em infraestrutura, restauração de contratos e segurança operacional.

Além disso, apesar das ambições dos Estados Unidos sobre o petróleo venezuelano, empresas multinacionais do setor seguem cautelosas, evitando grandes aportes na infraestrutura do país, o que limita uma resposta rápida na oferta global.

Desde a captura e deposição de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, em uma operação militar em Caracas, os Estados Unidos passaram a controlar as vendas do petróleo venezuelano, mas isso não elimina os desafios técnicos e financeiros para elevar a produção.

Impacto esperado no mercado

A posição saudita sinaliza que os maiores produtores acreditam ser improvável um choque duradouro nos preços, ainda que o cenário permaneça volátil no curto prazo.

Enquanto o mercado observa movimentos políticos e decisões de governos, fatores como a necessidade de investimentos, o estado da infraestrutura e a relutância de investidores internacionais pesam mais na perspectiva de aumento da oferta do petróleo venezuelano.