Petróleo venezuelano cresce abruptamente nas importações dos EUA, refinarias da Costa do Golfo sofrem excesso de oferta, descontos e volumes sem comprador
A chegada acelerada de petróleo venezuelano à Costa do Golfo criou excesso de oferta, forçou descontos e deixou parte do volume sem comprador, em um desafio logístico e comercial para as refinarias dos EUA
A importação crescente de petróleo venezuelano para os Estados Unidos elevou os fluxos em questão de semanas, e o mercado local ainda não absorveu toda a oferta adicional.
O excesso empurrou preços para baixo e deixou cargas sem destino certo, enquanto algumas refinarias relutam em comprar graus mais pesados ou aguardam ajustes operacionais.
Informações sobre embarques, volumes e declarações de executivos foram relatadas e compiladas em fonte jornalística, conforme informação divulgada pelo g1
Excesso de oferta e impacto nos preços
Com o aumento simultâneo das exportações, operadores apontam que há mais produto disponível do que compradores, especialmente na região da Costa do Golfo.
Cargas de petróleo venezuelano para entrega na Costa do Golfo estão sendo oferecidas com desconto de cerca de US$ 9,50 por barril em relação ao Brent, ante descontos entre US$ 6 e US$ 7,50 registrados em meados de janeiro.
No mês passado, as exportações totais de petróleo venezuelano para os Estados Unidos quase triplicaram, chegando a 284 mil barris por dia, segundo dados baseados no movimento de navios, e antes das sanções de 2019 os EUA importavam cerca de 500 mil barris diários, volume que caiu a zero em meados de 2025.
Capacidade de refino e necessidade de ajustes
Nem todas as refinarias americanas têm configuração imediata para processar os graus mais pesados do petróleo venezuelano, por isso será necessário tempo e ajustes para retomar plena capacidade operativa.
Um operador resumiu a dificuldade com clareza, “Estamos todos enfrentando esse problema, em que há mais para vender e não há compradores suficientes”.
Executivos do setor trouxeram estimativas sobre capacidade, por exemplo, “a empresa pode processar cerca de 250 mil barris por dia desse petróleo, desde que os preços sejam competitivos”, afirmou o presidente-executivo da Phillips 66, Mark Lashier.
A Chevron, que elevou seus embarques para 220 mil barris por dia em janeiro, ante 99 mil em dezembro, tem, segundo seu presidente-executivo, “a rede de refino da Chevron consegue processar até 150 mil barris diários dos tipos pesados da Venezuela”.
Dados de navios indicam que petroleiros fretados por grandes traders e pela própria Chevron chegaram a esperar dias para descarregar, ou reduziram velocidade de navegação para ajustar janelas de descarga.
Concorrência, destinos alternativos e peso geopolítico
No total, as exportações venezuelanas subiram para cerca de 800 mil barris por dia no mês passado, ante 498 mil em dezembro, pressionando a necessidade de encontrar compradores fora do circuito tradicional.
Vitol e Trafigura exportaram cerca de 12 milhões de barris, o equivalente a aproximadamente 392 mil barris por dia, dos portos venezuelanos em janeiro, principalmente para terminais de armazenamento no Caribe, e grande parte desse volume ainda não foi vendida.
A China, que era o principal destino do petróleo venezuelano, deixou de receber cargas desde a captura de Maduro no início de janeiro, e autoridades americanas anunciaram controle das vendas venezuelanas por tempo indeterminado, enquanto Pequim rejeitou essa supervisão.
Alternativas comerciais estão em discussão, com menções a possíveis compras por refinarias na Índia e negociações entre traders, mas os volumes e preços precisarão convergir para que o mercado se estabilize.
O que vem a seguir
O ajuste do mercado será determinado por quanto as refinarias americanas conseguem adaptar suas malhas de refino ao petróleo venezuelano, pelos níveis de desconto que os vendedores aceitarem e pela capacidade de traders e governos de realocar volumes não absorvidos.
Enquanto isso, o excesso de oferta tende a manter pressão sobre preços e a forçar soluções como armazenamento temporário, revenda a terceiros e renegociação de janelas de descarga, com impactos logísticos e financeiros para produtores e compradores.