quinta-feira, junho 4, 2026

Petróleo venezuelano cresce em volume para a Costa do Golfo, e refinarias dos EUA não absorvem oferta, preços caem, volumes ficam sem compradores após acordo de US$ 2 bilhões

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A rápida elevação nas exportações de petróleo venezuelano pressiona refinarias da Costa do Golfo, amplia descontos frente ao Brent, e deixa parte do volume sem destino claro

As refinarias da Costa do Golfo dos Estados Unidos estão tendo dificuldade para processar o aumento súbito das cargas de petróleo venezuelano, situação que abre espaço para queda de preços e volumes sem comprador.

A fraqueza da demanda interna nos EUA é apontada como um obstáculo inicial à estratégia do presidente Donald Trump de direcionar a maior parte do petróleo venezuelano ao mercado americano, após a operação que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no mês passado.

O excesso de oferta já se reflete em descontos maiores, e várias cargas permanecem à procura de destino, conforme informação divulgada pelo g1

Excesso de oferta e efeito nos preços

Com as licenças concedidas a tradings como Vitol e Trafigura, e com a Chevron já autorizada a negociar, as exportações venezuelanas subiram rapidamente, pressionando os preços nos mercados de destino.

Atualmente, cargas de petróleo pesado venezuelano para entrega na Costa do Golfo estão sendo oferecidas com desconto de cerca de US$ 9,50 por barril em relação ao Brent, ante descontos entre US$ 6 e US$ 7,50 registrados em meados de janeiro.

Em janeiro, as exportações totais da Venezuela para os EUA quase triplicaram, chegando a 284 mil barris por dia, depois de terem caído a zero em meados de 2025, quando Washington revogou licenças de comercialização e transporte.

Limitações operacionais das refinarias americanas

Operadores do mercado apontam que muitas refinarias precisam de ajustes para processar tipos mais pesados de petróleo, o que impede uma absorção imediata do volume exportado pela Venezuela.

Um operador resumiu a situação, afirmando, “Estamos todos enfrentando esse problema, em que há mais para vender e não há compradores suficientes”.

O presidente-executivo da Phillips 66, Mark Lashier, disse que a empresa “pode processar cerca de 250 mil barris por dia desse petróleo, desde que os preços sejam competitivos”.

Movimentação das petroleiras e destinos alternativos

A Chevron aumentou seus embarques para 220 mil barris por dia em janeiro, ante 99 mil em dezembro, embora a empresa também reconheça limites na capacidade de refino interna.

O CEO da Chevron, Mike Wirth, afirmou que “a rede de refino da Chevron consegue processar até 150 mil barris diários dos tipos pesados da Venezuela”, indicando necessidade de armazenar ou revender o excedente.

Vitol e Trafigura exportaram cerca de 12 milhões de barris, o equivalente a aproximadamente 392 mil barris por dia, em janeiro, em grande parte para terminais de armazenamento no Caribe, e grande parte desse volume ainda não foi vendida.

Mercados internacionais e cenário político

A China, que foi o principal destino do petróleo venezuelano, deixou de receber cargas desde a captura de Maduro no início de janeiro, e autoridades americanas afirmaram que os EUA passariam a controlar as vendas venezuelanas por tempo indeterminado.

Enquanto Pequim rejeita o controle americano, e a PetroChina orientou comerciantes a suspender novas negociações, a Índia surge como alternativa potencial, com a Reliance Industries avaliando importações da Venezuela.

O fluxo atual, os limites de refino nos EUA, e os movimentos de grandes tradings e empresas, mantêm a situação volátil, com preços e rotas sujeitas a ajustes nas próximas semanas.

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