Petróleo venezuelano em jogo, Arábia Saudita minimiza impacto após captura de Maduro e diz que aumento da produção dos EUA será lento e caro
Mohammed Al-Jadaan afirmou em Davos que "Não acredito que veremos um impacto significativo no mercado de petróleo", e que qualquer alta exigirá tempo e investimentos
A Arábia Saudita descartou que a nova situação política na Venezuela provoque mudanças imediatas e profundas no **mercado de petróleo**, apesar das ambições anunciadas pelos Estados Unidos.
O ministro das Finanças saudita, Mohammed Al-Jadaan, fez as observações no debate de encerramento do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, e avaliou que uma resposta de oferta não será rápida.
As declarações colocam em perspectiva a possibilidade de aumento das exportações venezuelanas, e os riscos práticos e financeiros para recuperá-las, conforme informação divulgada pelo g1.
O que disse a Arábia Saudita em Davos
No debate, Al-Jadaan afirmou, em tradução para o português, "Não acredito que veremos um impacto significativo no mercado de petróleo".
Ele acrescentou que "Qualquer aumento na produção levará tempo e exigirá investimentos consideráveis", apontando para obstáculos logísticos e financeiros para elevar rapidamente a oferta de petróleo venezuelano.
Por que a produção não deve subir rápido
Desde a captura e deposição de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, em uma operação militar em Caracas, os Estados Unidos controlam as vendas do petróleo venezuelano.
Apesar das ambições de ampliar a produção, empresas multinacionais do setor permanecem cautelosas, evitando grandes investimentos na infraestrutura local, o que limita uma recuperação imediata da oferta.
Reservas, produção e o cenário técnico
A Venezuela tem as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, com **303 bilhões de barris**, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, à frente da Arábia Saudita, com **267,2 bilhões**.
No entanto, décadas de corrupção e má gestão fizeram com que a produção caísse de um pico de **mais de três milhões de barris por dia para os atuais 1,2 milhão de barris**, segundo as autoridades venezuelanas.
De acordo com a Agência Internacional de Energia, a Venezuela produziu uma média de **950 mil barris por dia em 2025**, dos quais **780 mil foram exportados**, números que ilustram o desafio técnico e financeiro de retomar volumes maiores.
O que esperar adiante
Especialistas devem monitorar sinais de investimento em campos e refinarias, assim como decisões políticas e de sanções, que influenciarão a velocidade de qualquer recuperação.
Enquanto isso, para o mercado global, a avaliação da Arábia Saudita é clara, que mudanças na Venezuela podem não traduzir-se em impacto imediato no **mercado de petróleo**, pela complexidade e custos envolvidos.