Petróleo venezuelano retorna em grande volume aos EUA após acordo de US$ 2 bilhões, Trump quer redirecionar vendas, refinarias da Costa do Golfo, Chevron, Vitol e Trafigura lidam com excesso de oferta
Refinarias da Costa do Golfo enfrentam excesso de oferta de petróleo venezuelano, queda de preços e cargas sem comprador, importações aos EUA chegaram a 284 mil barris por dia
A volta em grande escala do petróleo venezuelano aos mercados internacionais após o acordo de US$ 2 bilhões entre Caracas e Washington tem pressionado refinarias nos Estados Unidos, e em particular as da Costa do Golfo.
O aumento rápido das exportações gerou um excesso de oferta, com preços em queda e volumes que ainda não têm compradores definidos, segundo operadores e dados de embarque.
O cenário cria um obstáculo para a estratégia do presidente Donald Trump de direcionar a maior parte do petróleo venezuelano ao mercado americano, conforme informação divulgada pelo g1
Excesso de oferta e pressão nos preços
Com o fluxo de cargas vindo da Venezuela, algumas refinarias relutam em comprar, mesmo com descontos, porque os volumes superam a demanda imediata na Costa do Golfo.
Em relato de mercado, foi dito que, “Estamos todos enfrentando esse problema, em que há mais para vender e não há compradores suficientes”, disse um dos operadores.
Dados de oferta mostram que “Atualmente, cargas de petróleo pesado venezuelano para entrega na Costa do Golfo estão sendo oferecidas com desconto de cerca de US$ 9,50 por barril em relação ao Brent, ante descontos entre US$ 6 e US$ 7,50 registrados em meados de janeiro.”
O impacto já aparece nos números, “No mês passado, as exportações totais de petróleo venezuelano para os Estados Unidos quase triplicaram, chegando a 284 mil barris por dia”.
Capacidade de refino e necessidade de ajustes
Nem todas as refinarias americanas estão preparadas para processar os graus mais pesados vindos da Venezuela, o que exige ajustes operacionais antes de operar em plena capacidade.
O presidente-executivo da Phillips 66, Mark Lashier, afirmou que “a empresa pode processar cerca de 250 mil barris por dia desse petróleo, desde que os preços sejam competitivos.”
A Chevron aumentou seus embarques, “elevou seus embarques para 220 mil barris por dia em janeiro, ante 99 mil em dezembro”, e seu executivo, Mike Wirth, afirmou que “a rede de refino da Chevron consegue processar até 150 mil barris diários dos tipos pesados da Venezuela”, o que aponta para necessidade de armazenar ou revender volumes excedentes.
Segundo o relatório, “Atualmente, a companhia produz cerca de 250 mil barris por dia na Venezuela e vê potencial para aumentar esse volume em até 50% nos próximos 18 a 24 meses”, caso haja autorização dos EUA para expandir operações.
Destino das cargas e geopolítica
Além dos EUA, parte do petróleo venezuelano tem seguido para terminais de armazenamento no Caribe, enquanto compradores tradicionais mudaram de postura após eventos recentes em Caracas.
Foi informado que “Vitol e Trafigura exportaram cerca de 12 milhões de barris, o equivalente a aproximadamente 392 mil barris por dia, dos portos venezuelanos em janeiro”, e grande parte desse volume ainda não foi vendida.
O total das exportações da Venezuela subiu, “No total, as exportações de petróleo da Venezuela saltaram para cerca de 800 mil barris por dia no mês passado, ante 498 mil em dezembro”.
A China, que antes era destino principal, deixou de receber cargas desde a captura do presidente Nicolás Maduro no início de janeiro, e autoridades americanas disseram que passariam a controlar as vendas por tempo indeterminado.
Fontes apontam que uma alternativa pode surgir na Índia, e que negociações com empresas como a Reliance Industries estão sendo avaliadas, enquanto Pequim tem mantido postura cautelosa.
O que esperar
O mercado deverá ver ajustes graduais, com vendas destinadas a reposicionamento, estocagem e renegociações de preços até que refinarias americanas aumentem sua capacidade de processar o petróleo venezuelano.
Operadores e empresas citadas no levantamento indicam que haverá tempo até normalizar fluxos, e que os valores praticados hoje refletem tanto a oferta excessiva quanto incertezas sobre compradores, logística e autorização de operações maiores.
Informações e dados apresentados neste texto foram obtidos a partir de relatos de mercado e monitoramento de embarques, conforme informação divulgada pelo g1